BELÉM — A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta terça-feira (29) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirada de publicações que, segundo sua equipe jurídica, distorcem uma fala sobre exames preventivos. A ação também solicita a responsabilização dos autores do conteúdo.
O episódio ocorreu após um discurso de Lula em um comício em Belém (PA). Na fala, o presidente abordava a resistência de homens à realização de exames para a detecção precoce do câncer de próstata e comparava os cuidados com a saúde masculina à rotina de prevenção das mulheres.
Lula afirmou: “O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata.” Em seguida, mencionou o exame de toque e disse que os homens, em caso de câncer de próstata, seriam submetidos a esse procedimento.
Alegação de distorção
A campanha afirma que partes do discurso começaram a circular nas redes sociais sem o contexto relacionado à prevenção e aos cuidados de saúde. De acordo com a equipe jurídica, as publicações deram interpretação sexual a referências feitas pelo presidente ao exame de toque e omitiram o tema central da fala.
Maíra Recchia, advogada da campanha, disse que a representação apresentada ao TSE pretende interromper a circulação de conteúdos que atribuem outro sentido à declaração. Para ela, a mesma expressão foi interpretada de maneira diferente conforme a referência fosse a homens ou a mulheres.
“Quando se falou de homens, o toque foi imediatamente compreendido no campo da saúde, da prevenção”, afirmou Recchia. A advogada também disse que a narrativa pode transformar os cuidados com a saúde de meninas, adolescentes e mulheres em motivo de escândalo e reforçar tabus que dificultam o acesso a informações e serviços de saúde.
A campanha pede que a Justiça Eleitoral determine a remoção das publicações e responsabilize os responsáveis pela divulgação do material.



