A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (23) para pedir medidas urgentes de investigação sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT apresentou uma ação contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A legenda acusa os dois de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação relacionado ao mesmo episódio.
O relatório da Abin
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de “nível de criticidade” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições, conforme relatório enviado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça.
O documento registra uma escalada das pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil e associa a atuação de Washington a uma estratégia mais ampla de reorientação política da América Latina. O relatório também dá atenção à atuação de Marco Rubio, secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
Segundo a Abin, a política de Rubio para a América Latina tem componente ideológico e busca “influenciar e reorientar a política externa dos países da região”.
Na terça-feira (23), 14 países integrantes do Escudo das Américas assinaram um acordo que classifica 24 facções narcotraficantes como ameaças compartilhadas e prevê sanções conjuntas. O grupo de governantes de extrema direita da América Latina é organizado por Donald Trump. Entre as organizações brasileiras citadas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Horas antes, na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula afirmou que o Brasil não pretende terceirizar a responsabilidade de proteger seus cidadãos e declarou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”



