FORTALEZA — A Polícia Civil do Ceará procura João Munhoz Neto, de 33 anos, namorado da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele e familiares. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, e o namorado ainda não foi localizado.
Na noite de domingo (20), a mãe de João foi localizada na praia do Cumbuco, em Caucaia, cidade vizinha a Fortaleza. A polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão e recolheu o celular e um tablet dela, que serão submetidos a perícia.
Perícias e depoimentos
A Polícia Civil informou que as câmeras do condomínio permitiram estabelecer a cronologia dos deslocamentos de Isabelle e João no dia da morte, em 13 de setembro. As imagens continuam em análise. O celular da estudante também foi periciado, e seu conteúdo é examinado pelos investigadores.
Quatro pessoas já prestaram depoimento, enquanto outras quatro oitivas estão agendadas. A Perícia Criminal da Perícia Forense do Estado do Ceará realizou novas perícias no condomínio e no apartamento onde Isabelle vivia. Os trabalhos incluíram a complementação da coleta de vestígios de DNA e a produção de imagens do local com um drone.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará afirmou que a dinâmica dos fatos ainda é investigada e que os fatores relacionados à morte só poderão ser esclarecidos ao fim dos trabalhos.
Relato da mãe
Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle e professora universitária, afirmou em um vídeo nas redes sociais que a filha começou a estagiar em um escritório de advocacia de Fortaleza em julho. Poucos dias depois, segundo o relato, o chefe teria levado Isabelle para trabalhar diretamente em seu setor. Menos de 10 dias após o início do estágio, a jovem contou que estava namorando o chefe.
Isorlanda disse que alertou a filha sobre possíveis situações de assédio, a relação profissional e a diferença de idade entre os dois. Também afirmou que considerava o comportamento de João controlador e relatou que ele teria pedido para usar o cartão bancário de Isabelle e sugerido colocar uma empresa em nome dela.
Isabelle cursava o 2º semestre de Direito e pretendia ser advogada criminalista. Ela passou a morar com João, a mãe dele e o irmão algumas semanas antes da morte.
No fim de semana anterior, Isabelle ficou na casa da mãe por causa de um torcicolo. No domingo, decidiu voltar ao condomínio para participar de uma missa e de uma procissão. Isorlanda relatou que recebeu uma mensagem da filha sobre um frango deixado na air fryer e, às 19h22, outra com a frase: “Mãe, eu te amo”. Depois disso, Isabelle não enviou a mensagem de boa noite que costumava mandar diariamente.
Na manhã seguinte, a mãe tentou falar com a filha e com João, mas não obteve resposta. Ela afirmou que percebeu estar bloqueada. Ao ir ao condomínio com familiares, foi informada de que Isabelle havia morrido na noite anterior e estava no IML. Isorlanda também disse que, cinco dias após a morte, ainda não havia recebido contato do namorado ou de familiares dele.


