MANAUS — A poluição do ar em Manaus atingiu nesta quarta-feira (23) picos acima de 160 µg/m³, dez vezes o limite considerado aceitável para a saúde humana. Em setembro, a média registrada na cidade ficou acima de 30 µg/m³, o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Os dados foram obtidos por sensores da RedeAr. A OMS estabelece 5 µg/m³ como limite anual e 15 µg/m³ como média diária. Os principais pontos de concentração estão nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se unem para formar o rio Amazonas, e ao longo da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RN).
Fumaça concentrada na região metropolitana
Newton Monteiro, analista de pesquisa do Ipam, afirmou que a região metropolitana de Manaus teve aumento significativo dos focos de calor nos últimos dias. O fogo se concentra em áreas próximas ao Rio Amazonas e à BR-319, formando colunas de fumaça que alcançam a cidade e municípios vizinhos.
A dispersão do material também foi afetada pelo El Niño. De acordo com Monteiro, os ventos normalmente levam a fumaça para oeste, em direção ao Peru. O fenômeno, em curso e em fortalecimento desde meados de 2026, alterou esse padrão e favoreceu o transporte da fuligem para Manaus.
Em 2025, o Amazonas registrou 67 dias com concentração acima de 15 µg/m³ e média anual de 10,67 µg/m³.
As queimadas liberam monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, carbono negro, carbono marrom e precursores de ozônio. A principal ameaça à saúde pública, porém, é o material particulado menor que 2,5 micrômetros, conhecido como PM2,5. Ao ser inalado, ele chega aos pulmões e à corrente sanguínea, podendo permanecer no organismo por meses após a exposição.
A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz, garganta e pulmões, além de tosse, inflamação pulmonar, bronquite e insuficiência cardíaca. A OMS relaciona o contato com PM2,5 a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo.


