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Ciência

Atenção do cérebro mantém duas vozes ativas durante a troca de foco

Estudo indica que sinais neurais de dois interlocutores se sobrepõem por um breve período quando a atenção muda de uma voz para outra.

Atenção do cérebro mantém duas vozes ativas durante a troca de foco
Foto: AFP

A mudança de atenção entre duas vozes não ocorre como uma troca instantânea. Durante um breve período, o cérebro mantém sinais associados ao interlocutor anterior enquanto começa a processar a nova voz, segundo um estudo conduzido com colegas do Eriksholm Research Centre, na Dinamarca, financiado pela Oticon, fabricante de aparelhos auditivos.

Os pesquisadores identificaram uma sobreposição dos sinais neurais ligados às duas vozes por um período de um a dois segundos. O resultado indica que, ao redirecionar a atenção, o cérebro começa a se sintonizar com o novo interlocutor antes de interromper completamente o processamento do anterior.

O que acontece durante a escuta

A capacidade de acompanhar uma conversa em um ambiente com vários sons é conhecida como efeito coquetel. O fenômeno começou a ser investigado na década de 1950, quando o cientista cognitivo britânico Colin Cherry pediu a voluntários que escutassem dois discursos ao mesmo tempo e repetissem apenas um deles.

Os participantes conseguiam acompanhar e repetir com precisão a mensagem escolhida, embora cada discurso fosse reproduzido simultaneamente em um ouvido. Já a outra mensagem era lembrada em pouca medida. Esses experimentos deram origem a décadas de pesquisas sobre atenção seletiva.

O estudo mais recente parte de uma situação mais dinâmica do que a testada originalmente. No cotidiano, a atenção auditiva pode mudar quando alguém chama pelo nome em um salão cheio ou quando uma porta bate. A questão investigada foi se o cérebro consegue passar de uma voz para outra imediatamente ou se precisa processar as duas durante um intervalo curto.

Os resultados apontam para uma espécie de continuidade na atenção. Ao conservar informações suficientes sobre o interlocutor anterior enquanto acompanha o novo, o cérebro pode tornar menos perceptível a transição entre as vozes. Esse mecanismo ajuda a explicar como as pessoas navegam por uma paisagem sonora que muda continuamente.

Como a atividade cerebral é monitorada

Nos últimos 15 anos, pesquisas sobre o efeito coquetel passaram a usar situações mais próximas da experiência auditiva cotidiana e tecnologias capazes de acompanhar a atividade cerebral enquanto a fala se desenvolve.

Uma das ferramentas não invasivas mais comuns é a eletroencefalografia, conhecida pela sigla EEG. O equipamento se assemelha a uma touca de natação com pequenos sensores, que registram mudanças muito rápidas na atividade elétrica de grupos de neurônios, com precisão de milissegundos.

Em um estudo de 2014, neurocientistas observaram que, em até 200 milissegundos depois que uma pessoa começa a falar, o cérebro prioriza a conversa à qual o ouvinte está atento. Esse efeito aparece de forma mais evidente em áreas cerebrais secundárias, como o giro temporal superior, que participa da organização dos sons em uma fala compreensível.

A observação sugere que a atenção não apenas aumenta a presença da voz selecionada. Ela também contribui para que o ouvinte compreenda as palavras enquanto outras conversas e sons de fundo são filtrados.

Possíveis aplicações em aparelhos auditivos

Os resultados podem orientar o desenvolvimento de aparelhos auditivos capazes de acompanhar mudanças de atenção. Modelos tradicionais costumam priorizar sons vindos da frente do ouvinte, uma limitação em situações nas quais diferentes pessoas falam de direções variadas.

Com técnicas mais avançadas de decodificação da atenção, esses dispositivos poderiam ser controlados por sinais neurais para realçar a voz que recebe o foco naquele momento e alternar entre interlocutores à medida que a atenção muda.

A abordagem também pode ser usada para investigar como as estratégias de atenção variam entre indivíduos em ambientes ruidosos e como essas diferenças se relacionam ao esforço mental necessário para acompanhar e compreender a fala. O objetivo é ampliar a compreensão de como a atenção interfere no que as pessoas ouvem, entendem e lembram.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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