O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alterou o foco do debate político que vinha sendo dominado por acontecimentos no Supremo Tribunal Federal (STF). A cientista política Rosemary Segurado avalia que a medida sinaliza a importância de manter investimentos em programas sociais.
A decisão foi alvo de críticas de integrantes da direita. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) protocolou uma representação contra o reajuste no STF, mas o pedido foi rejeitado. Para Segurado, o aumento recompõe perdas provocadas pela inflação e está de acordo com a legislação. “O reajuste é absolutamente legal”, afirmou.
As críticas também partiram de Flávio Bolsonaro e Renan Santos (Missão), apontados no debate como candidatos à Presidência. Na avaliação da cientista política, as manifestações mostram que essas figuras estão mais concentradas na disputa eleitoral do que nas condições de vida da população.
Segurado destacou que R$ 90 podem fazer diferença para famílias que enfrentam dificuldades para comprar comida. Ela afirmou ainda que a oposição ao Bolsa Família revela desconhecimento da realidade brasileira e resistência a políticas sociais desse tipo.
Comparação com a pandemia
A cientista política comparou o reajuste anunciado por Lula à política adotada por Jair Bolsonaro durante a pandemia. Segundo ela, houve naquele período um aumento condicionado ao calendário eleitoral de 2022, o que classificou como uma medida eleitoreira, e não como uma política voltada à melhoria permanente da situação das famílias.
O anúncio de Lula, portanto, foi apresentado por Segurado como uma política social que deve ser analisada pelo impacto sobre os beneficiários. As críticas ao reajuste, na leitura dela, inserem a transferência de renda no confronto eleitoral e podem transformar a disputa política em prejuízo para a população.


