Um novo conselho consultivo dos Estados Unidos sobre fenômenos anômalos não identificados reúne cientistas que consideram possível a presença de tecnologia alienígena na Terra. Criado neste ano pelo governo Donald Trump, o grupo recebeu a missão de examinar registros oficiais e contribuir para a investigação de objetos e acontecimentos ainda não explicados.
O presidente afirmou que a divulgação dos documentos permitiria que as pessoas decidissem por si mesmas o que estaria acontecendo. Os arquivos incluem vídeos militares de baixa qualidade, relatos de luzes observadas por agentes federais e discussões governamentais sobre buracos de minhoca interestelares. Parte desse material já havia sido tornada pública.
Cientistas com posições diferentes
O presidente do conselho é Avi Loeb, astrofísico da Universidade Harvard. Ele ficou conhecido por defender que Oumuamua, objeto interestelar em forma de charuto que atravessou o Sistema Solar há alguns anos, poderia ser de origem alienígena. A hipótese provocou resistência no meio acadêmico.
Também participam Tim Gallaudet, contra-almirante aposentado e oceanógrafo; Garry Nolan, professor de patologia da Universidade Stanford; Peter Skafish, antropólogo; e Michael Shermer, editor fundador da revista Skeptic. Gallaudet já afirmou que objetos de origem desconhecida operavam no espaço aéreo e nas águas dos Estados Unidos. Nolan, por sua vez, sustenta que pode haver algo não humano no país há muito tempo.
Shermer ocupa no grupo uma posição cética. Ele afirmou que os documentos contêm muitas “fotografias borradas, vídeos granulados e apenas relatos de coisas estranhas que as pessoas veem”. Também reconheceu que diversos avistamentos permanecem em uma zona de pouca informação, sem elementos suficientes para determinar o que ocorreu.
A composição do conselho é criticada por ex-integrantes do governo. Sean Kirkpatrick, que dirigiu o escritório responsável por coordenar os esforços oficiais de rastreamento de fenômenos inexplicáveis durante a gestão Joe Biden, classificou o grupo como um desperdício de recursos e afirmou que ele foi criado para desviar a atenção e promover teorias marginais.
Relatos reunidos nos arquivos
Em 2023, dois agentes federais investigavam a atividade de drones perto de locais sensíveis no oeste dos Estados Unidos quando observaram luzes que se deslocavam rapidamente. Segundo um documento desclassificado, os pontos luminosos convergiram em uma esfera branca e alaranjada, com brilho semelhante a um halo. Os agentes chegaram a menos de 50 metros, mas o objeto mudou de direção e desapareceu.
A esfera reapareceu depois, formando luzes laranjas e roxas que percorreram 6 km de terreno acidentado. O episódio foi acompanhado por outros agentes. Um memorando do Pentágono registra que seis deles disseram ter visto “orbes lançando outros orbes” durante dois dias.
Os registros também incluem um episódio de fevereiro de 1949, quando cientistas se reuniram em Los Alamos, no Novo México, para discutir bolas de fogo verdes observadas perto de instalações de pesquisa. Entre os participantes estava Edward Teller, um dos criadores da bomba de hidrogênio. Os documentos não mostram que o grupo tenha chegado a uma explicação.
O que os documentos mostram
Greg Eghigian, professor da Penn State que estuda fenômenos anômalos não identificados, avaliou que o material não trazia algo particularmente novo ou surpreendente. Para ele, a maioria dos pesquisadores veteranos de óvnis continuava pouco impressionada com a divulgação.
A trajetória recente do tema inclui uma audiência do Congresso em 2022 sobre relatos militares de fenômenos inexplicados. Na ocasião, Scott W. Bray, então vice-diretor de inteligência naval, disse que o governo não tinha destroços inexplicáveis incompatíveis com uma origem terrestre. No ano seguinte, o ex-funcionário de inteligência David Grusch afirmou que um programa secreto coletava havia muito tempo materiais de origem não humana.
Kirkpatrick declarou que nunca encontrou evidência de tecnologia alienígena ou de uma conspiração governamental. Os arquivos divulgados, portanto, ampliam o volume de relatos disponíveis, mas não confirmam a existência de visitantes extraterrestres ou de equipamentos não humanos.
As hipóteses discutidas pelo conselho também vão além da imagem tradicional de seres biológicos. Nolan considera que uma civilização avançada poderia ter recorrido à inteligência artificial e ser indistinguível de uma forma de superinteligência ainda incompreendida. Ele rejeita a expectativa de que uma eventual inteligência extraterrestre tenha aparência humana.
Loeb e Shermer fizeram uma aposta de US$ 1.000 sobre a descoberta de alienígenas até 2030. Shermer aposta que eles não serão encontrados; Loeb, que serão. A divergência resume o estágio atual do debate: há relatos, imagens e documentos para investigar, mas nenhuma confirmação definitiva sobre a origem dos fenômenos.


