AUSTRÁLIA — Uma comparação genética feita ao longo de 24 anos indicou que o pepino-do-mar-preto (Holothuria (Microthele) whitmaei) pode atingir 123,3 anos. O estudo identificou, em 2024, animais que já haviam sido analisados na mesma região em 2000 e estimou uma taxa anual de mortalidade de aproximadamente 3,7% entre os adultos.
A pesquisa começou quando o Australian Institute of Marine Science (AIMS) coletou pequenas amostras de tecido de exemplares na Grande Barreira de Corais. Como os marcadores físicos usados para acompanhar os animais caíam em pouco tempo, os pesquisadores recorreram ao DNA para reconhecer cada indivíduo.
Em setembro de 2024, a equipe voltou à região de Bird Islet, na ilha australiana de Lizard, e encontrou 53 exemplares. O material genético coletado na ocasião foi comparado com as amostras armazenadas desde 2000. Entre os 52 animais analisados, 31 apresentaram correspondência. Assim, pelo menos 60% dos indivíduos examinados em 2024 já estavam vivos no mesmo local 24 anos antes.
Animais adultos e sem crescimento
Os exemplares identificados eram adultos em 2000, com comprimentos entre 26 e 42 centímetros. Quando foram reencontrados, a maioria não havia crescido: em média, tinha perdido 21% do peso e 14% do comprimento.
Com base nos dados de sobrevivência, o modelo calculou que cerca de 1% de uma geração poderia permanecer viva aos 123,3 anos. Os pesquisadores afirmam que a estimativa pode ser conservadora, pois parte dos animais pode ter deixado a área estudada ou não ter sido encontrada.
A longevidade foi observada junto a outro aspecto da espécie. Nas pesquisas realizadas em 2000 e 2024, não foram encontrados juvenis; todos os animais analisados eram adultos de grande porte. O resultado pode indicar uma renovação lenta da população, o que dificulta a reposição dos indivíduos retirados pela pesca.
O pepino-do-mar-preto é encontrado em áreas dos oceanos Pacífico e Índico e é considerado uma iguaria em algumas culturas. Também é comercializado como bêche-de-mer, produto feito com carne cozida, seca e defumada. A pesca exerceu forte pressão sobre a espécie, considerada ameaçada de extinção, e a redução das populações levou ao fechamento da pesca na Grande Barreira de Corais em 1999.
Além do valor comercial, esses animais se alimentam de sedimentos no fundo do mar, ajudando a reciclar nutrientes e a movimentar o sedimento nos recifes de coral. Os pesquisadores escreveram que aumentar a pressão sobre esses sistemas ao retirar espécies ecologicamente importantes é incompatível com a gestão sustentável dos recifes de coral, que enfrentam estresse relacionado às mudanças climáticas.


