A queda de um helicóptero em Urubici, na Serra catarinense, ocorreu em um período de condições meteorológicas adversas. O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina confirmou na terça-feira (22) que o cantor sertanejo Rick, da dupla com Renner, estava entre os passageiros encontrados sem vida após o acidente, ocorrido na segunda-feira (21). Especialistas apontam que o tempo na região pode ter contribuído para a ocorrência.
Nas últimas semanas, áreas das regiões Sul e Sudeste registraram baixas temperaturas, chuvas volumosas e ventos fortes. Em Santa Catarina, os ventos chegaram a 100 km/h, acompanhados de temporais severos. Esse conjunto de fenômenos pode afetar tanto helicópteros quanto aviões.
Como as frentes alteram o voo
As chamadas frentes são zonas de transição entre massas de ar quente e frio. Quando o ar frio avança, forma-se uma frente fria; quando recua, há uma frente quente. Esses sistemas podem trazer nuvens, precipitações, ventos e turbulências. A pressão atmosférica, a intensidade e a direção dos ventos e a umidade também interferem nas condições de voo.
As formações de nuvens associadas a esses sistemas modificam a visibilidade e o ambiente encontrado pelas aeronaves. Frentes frias costumam favorecer nuvens cumuliformes, relacionadas a tempestades. Já as frentes quentes podem apresentar nuvens estratiformes que se espalham por grandes áreas.
O risco não se limita às frentes frias ou quentes. Linhas secas são fronteiras entre massas de ar seco e úmido com temperaturas semelhantes. Como o ar seco é mais denso, o ar úmido tende a subir, movimento que pode desencadear tempestades ao longo dessas linhas.
Gelo, neve e alternativas para os pilotos
Tempestades podem surgir em frentes frias ou permanecer ocultas em frentes oclusas. Dependendo da estação e da temperatura nas camadas da atmosfera, também pode ocorrer formação de gelo na aeronave. A chuva super-resfriada atravessa uma camada quente e chega a regiões frias; ao tocar a aeronave, pode congelar.
A neve é outro fator de impacto. Nevascas intensas podem reduzir a visibilidade e acumular neve nas pistas, levando ao fechamento temporário de aeroportos até a retirada do material pelas equipes responsáveis.
Para evitar áreas de maior risco, pilotos podem contornar uma frente, passar abaixo dela ou, quando houver condições, voar acima das formações. Nenhuma dessas alternativas garante uma operação sem dificuldades: algumas frentes se estendem por milhares de quilômetros, o mau tempo pode alcançar o solo e certas nuvens chegam a cerca de 15 quilômetros de altitude.
Em voos recreativos, a recomendação é evitar operações quando uma frente ou uma área de baixa pressão estiver próxima. Pousar antes da chegada do sistema e esperar sua passagem é uma alternativa. Outra possibilidade é aguardar a entrada de uma área de alta pressão, geralmente associada a céu mais aberto e ventos menos intensos.


