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Ciência

DNA identifica novo felino nas montanhas da Bolívia após cerca de um século

Leopardus tilcayo vive nas yungas bolivianas e foi reconhecido após análise genômica de felinos sul-americanos.

DNA identifica novo felino nas montanhas da Bolívia após cerca de um século
Foto: Paola Nogales-Ascarrunz/Divulgação

Uma equipe liderada pelo pesquisador brasileiro Eduardo Eizirik identificou uma nova espécie de felino nas florestas montanhosas da Bolívia. O animal, chamado popularmente de tilcayo pelos moradores da região, recebeu o nome científico de Leopardus tilcayo e foi descrito na revista especializada Current Biology.

A descoberta pode ser a primeira descrição, pela ciência, de uma nova espécie de felino não fóssil em cerca de um século. O animal mede 45 cm de comprimento, sem contar a cauda, que tem 25 cm. Apesar do nome científico, ele não é um leopardo: pertence ao grupo dos gatos-do-mato-pequenos, formado por espécies próximas entre si e nativas de diferentes áreas da América do Sul.

Um grupo difícil de classificar

A proximidade genética e a semelhança física entre esses felinos formam um chamado complexo de espécies, o que historicamente dificultou a classificação dos animais. O estudo coordenado por Eizirik, Jonas Lescroart e Paola Nogales-Ascarrunz procurou esclarecer essas relações a partir do mapeamento do genoma de gatos-do-mato-pequenos de diferentes regiões sul-americanas.

A pesquisa analisou o DNA completo de 38 felinos do gênero Leopardus. Desse total, 26 pertenciam ao complexo de espécies. A amostra reuniu animais vivos em cativeiro e espécimes preservados em museus, alguns coletados há décadas. Esses exemplares podem manter registros de diversidade genética que desapareceram com a redução das populações e a perda de habitat.

No Brasil, o grupo inclui o L. guttulus, associado à mata atlântica; o L. tigrinus, encontrado em áreas montanhosas na fronteira entre o extremo norte do país e as Guianas; e o L. emiliae, presente na caatinga e no cerrado. Durante muito tempo, esses animais e seus parentes de outros países sul-americanos foram considerados uma única espécie, o L. tigrinus.

No século 19, pesquisadores chegaram a propor outras divisões e nomes. Estudos genômicos anteriores de Eizirik recuperaram algumas dessas denominações, em um processo de revalidação de espécies já sugeridas. O caso do tilcayo, porém, é diferente porque não havia um nome previamente disponível para o animal. “Não havia nome disponível porque ninguém havia proposto a existência da espécie antes”, explicou Eizirik.

Isolamento nas yungas

O novo felino vive nas yungas bolivianas, uma zona de transição entre a floresta amazônica e os Andes. A área tem umidade intensa e variação de altitude de 400 m até 3.500 m. Para os pesquisadores, a combinação de relevo irregular e ambientes relativamente isolados pode ter favorecido a diferenciação da espécie ao longo do tempo.

As mudanças climáticas da Era do Gelo também podem ter influenciado esse processo. O avanço e o recuo das florestas, provocados por alternâncias de temperatura e umidade, teriam conectado ou separado as populações em diferentes períodos. A linhagem do L. tilcayo teria se separado daquela que originou os demais gatos-do-mato-pequenos há cerca de 1,5 milhão de anos.

Os dados, no entanto, indicam que o isolamento não foi completo. Hibridizações entre espécies são frequentes entre os felinos sul-americanos. No tilcayo, o DNA mitocondrial, transmitido pela linhagem materna, deriva de um provável ancestral do gato-do-mato-grande, o L. geoffroy, que também ocorre no Brasil.

Para Eizirik, trata-se provavelmente de um caso antigo de hibridização, sem sinais identificados até agora no genoma nuclear, que corresponde ao conjunto principal do DNA da espécie. A descrição do novo felino amplia o conhecimento sobre a evolução dos gatos sul-americanos e pode orientar ações de conservação, já que populações com história evolutiva e características genéticas próprias passam a ser consideradas na criação de áreas protegidas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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