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Bia Soull usa o sexo para discutir culpa, poder e liberdade no primeiro álbum

Em “Pornografia Auditiva”, a cantora paranaense combina funk, rap e música eletrônica para tratar do desejo feminino e da bissexualidade.

Bia Soull usa o sexo para discutir culpa, poder e liberdade no primeiro álbum
Foto: Ernando Prado/divulgação

O primeiro álbum de Bia Soull nasceu de uma tentativa de transformar o desejo em linguagem própria. Em Pornografia Auditiva (2026), a cantora e compositora paranaense apresenta músicas que tratam de sexo, mas também abordam masculinidade frágil, prostituição, culpa cristã e bissexualidade. As faixas alternam versos sussurrados, cantados e declamados sobre produções que passam pelo funk, pelo hip-hop e pela música eletrônica.

A artista tem 24 anos e é de Arapongas, no interior do Paraná. Sua aproximação com a música começou em casa, onde os pais mantinham uma banda. Aos 12 anos, depois da separação deles, Bia passou a trabalhar com arte de rua ao lado da mãe e do pai da irmã. Aos 17, entrou em um grupo de rap político. Três anos depois, começou a trabalhar como trabalhadora sexual para juntar dinheiro e se mudar para São Paulo. Ela afirma que sua família é muito pobre e que não recebeu apoio para seguir na música. Está na cidade há dois anos e meio e desenvolveu o trabalho de forma independente.

Desejo como ponto de vista

A composição do disco parte da experiência de Bia como mulher bissexual e da decisão de falar sobre sexualidade a partir da posição de quem deseja. Ela identifica uma predominância masculina nos espaços de produção musical e conta que suas letras causavam espanto em estúdios de São Paulo, onde homens produzem, cantam e escrevem.

Para a cantora, o erotismo não se limita ao conteúdo sexual. “O erotismo é uma forma de expressão”, afirma Bia. Na avaliação dela, a liberdade sexual pode afastar a mulher de uma posição de submissão. Por isso, define o álbum como um manifesto.

A faixa ou o conjunto de músicas que trata de ménage, por exemplo, é usado para questionar a diferença de julgamento entre configurações sexuais. Bia observa que o sexo com duas mulheres e um homem costuma ser visto de maneira diferente daquele que reúne dois homens e uma mulher. A sexualidade, em seu trabalho, funciona como eixo para discutir relações de poder, repressão e culpa.

Um nome criado pela escuta

O título do álbum surgiu depois que Bia se mudou para São Paulo. A mãe dela passou a trabalhar em uma academia e, em uma ocasião, levou até a esquina de casa um cliente com deficiência visual. Depois de ouvir as músicas da filha, ele as definiu como pornografia para cego, ou pornografia auditiva. A cantora adotou a expressão por entender que poderia ressignificar a palavra: em vez de ser usada, ela estaria usando o termo para nomear sua própria criação.

A escolha sonora também foi pensada para evitar uma classificação única. Bia trabalhou com diferentes produtores e incorporou referências de R&B e soul, estilos presentes em sua infância e adolescência, além de funk e rap. Ela diz não se enxergar apenas como MC de funk ou rapper, mas como uma artista interessada em fazer música de diferentes formas.

As letras mais elaboradas foram escritas em casa, a partir dos beats enviados pelos produtores. O processo envolvia ouvir as bases, escrever e gravar cerca de uma semana depois. A produção durou um ano e meio.

Repercussão e próximos passos

A cantora relata que sua conta no Instagram caiu por denúncias na segunda semana do lançamento, depois da publicação de uma entrevista em um jornal. Ela também afirma sofrer represálias quando o trabalho chega a novos espaços e interpreta essas ações como uma tentativa de prejudicar financeiramente quem produz arte sobre esses temas.

Mesmo assim, a repercussão do álbum superou suas expectativas. Bia diz ter se surpreendido com a recepção e relata que algumas pessoas passaram a se sentir mais livres para explorar a própria sexualidade e sem culpa depois de ouvir o disco.

A artista pretende manter Pornografia Auditiva como uma era pelo próximo ano e planeja circular com o álbum. Também afirma ter muitas músicas prontas e cita o single Machine, lançado em setembro, como parte dos novos projetos.

Bia considera a bissexualidade um aspecto natural de sua experiência e observa que ainda são poucas as músicas explícitas sobre o tema no funk. Seu objetivo futuro é fazer uma canção de sucesso sobre sexo sem recorrer a palavrões, de modo que o público perceba o assunto apenas depois de prestar atenção à letra. Ela também quer levar a discussão da sexualidade para gêneros como MPB e voz e violão, combinando comicidade, questões políticas e sensualidade.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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