A chinesa Oraimo iniciou oficialmente sua operação no Brasil com uma estratégia voltada às faixas de entrada e intermediária do mercado de acessórios inteligentes. O plano é evitar uma disputa direta com marcas consolidadas e usar o país como ponto de partida para uma expansão pela América Latina e, posteriormente, por toda a região das Américas.
A marca pertence à Transsion Holdings, grupo fundado em 2006 que construiu sua atuação principalmente fora do mercado doméstico chinês. A companhia domina cerca de 50% do mercado africano de celulares e está entre os principais grupos do setor no sudeste asiático.
Criada em 2014, a Oraimo reúne produtos como fones de ouvido, relógios inteligentes, barbeadores, cabos e carregadores portáteis. A empresa afirma estar presente em mais de 60 países e ter uma base superior a 200 milhões de usuários.
Portfólio e posicionamento
A operação brasileira começa com cerca de 50 produtos, distribuídos em quatro categorias: áudio, vestíveis, energia e cuidados pessoais. Entre os itens estão smartwatches, fones, cabos, power banks e barbeadores.
Walter Neto, responsável pela operação local e subordinado diretamente à matriz chinesa, definiu como público-alvo o consumidor que avalia a relação entre preço e qualidade. “Nosso alvo é o consumidor que faz o que chamamos de compras inteligentes”, afirmou. A estimativa da empresa é que esse mercado reúna pouco mais de 50 milhões de pessoas no Brasil.
Os preços praticados na chegada refletem esse posicionamento. Os smartwatches, por exemplo, custam entre R$ 190 e R$ 320. A faixa fica abaixo dos valores associados a concorrentes como Garmin, Apple, Samsung e Xiaomi, além de outras marcas do segmento.
A Transsion está listada na Bolsa de Xangai desde 2019 e tem valor estimado em 64 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 9,5 bilhões. Em 2025, registrou receita de aproximadamente US$ 9,4 bilhões e lucro líquido de US$ 373 milhões.
Entrada pelo comércio digital
Inicialmente, os produtos da Oraimo serão vendidos em três marketplaces: Mercado Livre, Shopee e TikTok Shop. A empresa planeja lançar seu próprio comércio eletrônico ainda neste ano e negocia com distribuidores para chegar ao varejo físico, possivelmente ainda em 2026.
A divulgação também começará no ambiente digital, com ações envolvendo influenciadores. A empresa pretende ampliar as iniciativas para os pontos de venda quando os produtos chegarem ao varejo físico.
A equipe brasileira foi formada, por enquanto, por cerca de dez profissionais. A expectativa é ampliar o grupo conforme a operação avance. “A meta é alcançar 20% do market share do mercado brasileiro de acessórios inteligentes num intervalo de cinco a dez anos”, disse Neto.
O grupo já tinha presença no Brasil com a Infinix, uma de suas três marcas de celulares, ao lado de Tecno e Itel. A Infinix está no país desde 2021 por meio de uma parceria com a Positivo Tecnologia. Para a Oraimo, a operação brasileira também deverá servir de base para possíveis próximos movimentos na região, com viagens planejadas para dois países ainda não revelados.



