Luis Felipe Amaral, fundador e CEO da Drýs Capital, iniciou uma estratégia de consolidação de empresas de saúde nos Estados Unidos. A expansão ocorre por meio da America Wellness Group (AWG), que comprou a New Hampshire Medical Supply, fornecedora independente de equipamentos médicos domiciliares de Washington. O valor da operação não foi divulgado.
A aquisição foi realizada principalmente com capital próprio de Amaral e de outros dois sócios radicados nos Estados Unidos. Uma parcela pequena também recebeu financiamento de um banco regional, em uma iniciativa destinada a construir um histórico de relacionamento com a instituição. A intenção é usar a empresa adquirida como plataforma para novas compras.
Estratégia de expansão
A AWG mantém conversas com cerca de dez empresas do setor. As negociações envolvem possíveis aquisições em estados como Carolina do Norte, Massachusetts, Nova Jersey, Califórnia, Colorado e Texas. Para Amaral, o ambiente americano oferece maior dinamismo econômico e opções de financiamento para fusões e aquisições que são mais difíceis de obter no Brasil.
Márcio Lima, sócio de Amaral, assumiu a operação como CEO e ficará responsável pelo comando próximo da AWG nos Estados Unidos. Ele já havia dirigido uma empresa média americana dos setores de manufatura e bens de capital, experiência considerada relevante para o relacionamento com bancos.
Fundada em 1962, a New Hampshire Medical Supply foi escolhida por apresentar processos organizados e informações consistentes. A AWG pretende replicar essa estrutura nas empresas que forem incorporadas e, ao mesmo tempo, ampliar as áreas de atuação da adquirida. A companhia é forte em equipamentos de mobilidade, mas ainda explora pouco os segmentos de aparelhos respiratórios e aluguel de equipamentos.
O setor americano exige credenciamentos específicos por estado — e, em alguns casos, por município — além de autorizações separadas para cada linha de produto. Essa estrutura cria uma barreira de entrada e contribui para a pulverização do mercado entre operadores locais de pequeno e médio porte. A AWG também identifica espaço em empresas que não oferecem uma gama completa de produtos ou que não têm acesso a todas as fontes pagadoras, dos planos públicos aos privados.
Inteligência artificial e próximos passos
A inteligência artificial é outra parte central da estratégia. Amaral pretende levar às empresas adquiridas um modelo tecnológico já aplicado na Drýs Capital. Segundo ele, as companhias de pequeno e médio porte com as quais a AWG conversa ainda usam pouco ou nada de inteligência artificial, o que poderia abrir espaço para ganhos de eficiência após a consolidação.
A AWG representa uma nova frente de atuação de Amaral fora da gestão de fundos. A Drýs Capital, quando operava como Equitas, chegou a administrar cerca de R$ 8 bilhões em bolsa e a reunir mais de 100 mil cotistas. Depois de resgates nos fundos de ações, o patrimônio caiu para cerca de R$ 900 milhões. Nesse período, a gestora também diversificou suas atividades para o crédito privado e outros negócios.
Por enquanto, a AWG é financiada pelos sócios. A decisão permite testar as premissas do negócio antes de abrir a estrutura a investidores externos. Se a estratégia for confirmada, Amaral afirma que os investidores da Drýs poderão participar por meio de um fundo de private equity ou como sócios diretos. Também existe a possibilidade de aplicar o modelo de aquisições em outros setores.



