Rodrigo Albuquerque, CEO e fundador da Petland Brasil, vai assumir em 1º de outubro o cargo de COO da Terça da Serra, rede de moradias para idosos fundada pela médica Joyce Duarte Caseiro e pelo economista Pedro Moraes. O acordo prevê ainda a opção de compra de uma participação acionária na empresa em até 12 meses, mas o percentual não foi informado.
A entrada ocorre em um momento de expansão do mercado de sênior living no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que pessoas com mais de 60 anos já representam 15,6% da população, acima dos jovens de 15 a 24 anos, que correspondem a 14,8%. O país tem mais de 32 milhões de idosos.
A economia prateada movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, enquanto o público idoso responde por 39% do Produto Interno Bruto (PIB). Para Albuquerque, a combinação entre demanda crescente e retorno rápido torna o segmento atrativo. “É um negócio que chega ao breakeven em cinco ou seis meses e uma demanda crescente”, afirmou.
A Terça da Serra opera atualmente com 124 unidades em 25 estados e 70 municípios. Outras 40 estão em implementação até 2027. A rede projeta receita de R$ 300 milhões em 2026 e pretende chegar a 300 casas em 2030, com faturamento de R$ 1 bilhão.
O negócio funciona por meio de franquias, e os royalties pagos pelos franqueados são a principal fonte de receita da franqueadora. Joyce é a CEO da rede, enquanto Moraes exerce a função de CFO. Os dois também são donos de três unidades. A empresa tem ainda, desde 2021, o grupo SMTZO, de José Carlos Semenzato, como sócio.
Operação e expansão
A primeira missão de Albuquerque será reorganizar fornecedores, gerar valor para franqueados e para a franqueadora e criar novas linhas de receita. Um dos exemplos envolve o consumo diário de fraldas: são 18 mil unidades, compradas individualmente por cada franqueado. A proposta é buscar um fornecedor único para a rede.
O executivo também pretende levar ao sênior living um modelo de expansão usado na Petland: a conversão de casas de repouso já existentes ou de pequenas redes em unidades da Terça da Serra. Para atrair proprietários e potenciais franqueados, a empresa prepara o Terça da Serra Day, previsto para dezembro, em São Paulo.
O tíquete médio da rede é de R$ 7 mil, mas há unidades com valores de até R$ 20 mil. O pagamento é antecipado pela família do idoso, e a inadimplência é descrita como praticamente zero. A expansão inclui a região Sul e cidades do interior do Nordeste.
O principal obstáculo é encontrar imóveis adequados. Cada unidade precisa de uma casa com pelo menos 600 metros quadrados (m²) e 12 suítes. A implantação custa cerca de R$ 1 milhão. As casas atendem aproximadamente três mil idosos e têm fila de espera. A Terça da Serra mantém uma equipe específica para procurar imóveis antes mesmo da chegada de novos franqueados.
A rede começou em 2014, depois que Joyce buscou uma residência para acolher o avô, então com 88 anos e com Mal de Alzheimer. Sem encontrar uma opção que considerasse adequada na região de Campinas e em São Paulo, ela decidiu criar o próprio negócio.
Moraes afirmou que a chegada de Albuquerque permitirá aos fundadores dedicar mais tempo à gestão e à operação das casas. Joyce pretende concentrar-se nas certificações, na qualidade e na melhoria dos processos de saúde.
Albuquerque diz que a nova função não alterará sua atuação na Petland, empresa em que a família Jereissati detém 28% de participação. A rede de pet shops foi trazida ao Brasil pelo empresário 12 anos atrás e é descrita como a terceira maior companhia do setor. As unidades da Terça da Serra também permitem a entrada de animais de estimação.



