CURITIBA — O espetáculo “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” será apresentado na Caixa Cultural Curitiba entre 24 de setembro e 4 de outubro de 2026. A montagem acompanha Yumo Apurinã, que interpreta a si mesmo, na trajetória de um homem evangelizado durante a infância e afastado de sua ancestralidade. No palco, ele busca retomar a relação com as próprias raízes e confronta processos vividos por povos originários no Brasil.
As sessões ocorrerão de quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Haverá apresentações com intérprete de Libras em 25 de setembro e 3 de outubro de 2026. Os ingressos custam R$ 20, na modalidade inteira, e R$ 10 para clientes CAIXA e casos previstos em lei. A classificação indicativa é de 12 anos. As entradas estão disponíveis na bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba e pela Bilheteria Digital.
Ancestralidade e representação indígena
A direção é de João Bernardo Caldeira. A peça aborda a violência associada à formação do Estado brasileiro e a separação histórica entre corpos considerados civilizados e aqueles submetidos ao apagamento, à expropriação e à morte. A trajetória do protagonista também expõe perguntas e estereótipos dirigidos a pessoas indígenas, especialmente depois que Apurinã se mudou para a cidade.
O personagem questiona no palco se a humanidade é, de fato, uma só. A montagem usa essa pergunta para tratar da necessidade de os povos indígenas continuarem existindo como povos indígenas, e não como grupos destinados a abandonar sua identidade para se integrar à sociedade nacional.
A presença de Ailton Krenak na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, é um dos momentos centrais do espetáculo. Na ocasião, Krenak pintou o rosto de preto ao protestar contra retrocessos nos direitos indígenas. O gesto ficou associado ao processo político que resultou na Constituição Federal de 1988, que reconheceu os direitos originários dos povos indígenas e rompeu com a política de tutela mencionada na obra.
Krenak é apresentado como líder indígena, ambientalista e escritor, além de integrante da Academia Brasileira de Letras e da Academia Mineira de Letras. A peça aproxima sua trajetória da história de Apurinã ao tratar de diferentes povos, territórios, seres e modos de existência.
Para Caldeira, o teatro pode recuperar sentidos de expressões como crise climática e colonização, além de ampliar as formas de imaginar e habitar o mundo. A sinopse situa a história de Apurinã na Aldeia Mawanaty, na Amazônia, onde ele procura as raízes de seu povo, marcadas pela colonização, e revisita as narrativas que moldaram o Brasil.
A CAIXA Cultural Curitiba fica na Rua Conselheiro Laurindo, 280, no Centro. Mais informações estão disponíveis no site oficial do espaço.


