CURITIBA — A participação de povos indígenas marcou a abertura do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas em Curitiba, realizado nesta segunda-feira (7). Mais de 60 pessoas de uma ocupação indígena da Região Metropolitana estiveram na mobilização, que reuniu cerca de mil participantes no centro da cidade.
A marcha foi organizada pela Frente de Lutas e fez um contraponto ao desfile cívico-militar do Dia da Independência do Brasil. Entre as reivindicações estavam o fim da escala 6×1, o direito à moradia, a soberania nacional e o combate ao fascismo e à violência de gênero.
Participação indígena e direito à terra
A concentração começou por volta das 14h30, na Praça Tiradentes, marco zero de Curitiba. A programação inicial incluiu um lanche compartilhado para pessoas em situação de rua, preparado pelo coletivo Marmitas da Terra, além de danças e cantos dos povos Kaingang, Guarani e Xetá.
Edson Tuvy, liderança Kaingang e morador da ocupação Parque do Mate, em Campo Largo (PR), afirmou que a data não representa uma comemoração para os povos indígenas. “O estado do Paraná é indígena, a gente tem história”, disse. O Paraná tem quatro retomadas indígenas sob risco de despejo, conforme as informações apresentadas no ato.
Para Ana Clara Nunes, uma das organizadoras e integrante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), o Grito reúne pessoas que permanecem à margem da sociedade e busca pressionar por mudanças. Ela defendeu a mobilização da classe trabalhadora para conquistar direitos.
Escala de trabalho e violência de gênero
Os manifestantes passaram por um trecho do Largo da Ordem e seguiram pela avenida Mateus Leme. Em frente ao shopping Mueller, cobraram o fim da escala 6×1 e pintaram na entrada do estabelecimento a frase “A escala 6×1 é mortal”.
A pauta trabalhista foi associada às discussões sobre a vida das mulheres. Ana Clara afirmou que a escala é mais pesada para elas porque o sétimo dia, reservado ao descanso, costuma ser ocupado pelo trabalho doméstico.
Renata Dutra, integrante da Bloca Ela Pode, Ela Vai, coletivo feminista de carnaval, relacionou a atuação cultural à resistência política. “A alegria é uma forma de organizar a raiva”, declarou. Fundada em 2018, em Curitiba, no contexto das mobilizações do Ele Não, a Bloca conduziu gritos e batucadas durante a marcha.
Críticas à extrema direita
Ainda diante do shopping, houve um ato contra a extrema direita e o fascismo. Foram queimados bonecos com os rostos de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, e Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, além de um boné do partido Missão.
Os participantes também entoaram palavras de ordem contra Trump na América Latina e contra Israel nas terras palestinas. A manifestação terminou à noite, na Praça 19 de Dezembro, com atividades culturais. O lema do 32º Grito em Curitiba foi: “Na defesa da Terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania!”


