A negociação para transferir a Amil à Advent e à Bain Capital foi encerrada depois que José Seripieri Filho recusou a transação. A decisão teria sido tomada na quarta-feira, 9 de setembro, e comunicada aos funcionários da empresa na manhã desta quinta-feira, 10 de setembro.
O empresário, conhecido como Júnior, teria participado de apenas uma reunião durante os meses de conversas. Pessoas familiarizadas com as tratativas afirmaram que ele não se envolveu efetivamente no processo e que não pretendia vender a companhia. A condução das negociações ficou principalmente com Grace Tourinho, CFO e conselheira da Amil.
Financiamento e garantias
A operação dependia da obtenção de financiamento de, no mínimo, R$ 16 bilhões. Também havia exigências relacionadas à situação da Amil nos países onde atua. A Bain Capital buscava garantias de que a empresa não havia infringido regras nesses mercados e queria incluir cláusulas para responsabilizar Júnior caso surgisse algum passivo depois da aquisição.
O empresário havia comprado a Amil da United Health assumindo os riscos do negócio e defendia que a venda seguisse lógica semelhante. Outro obstáculo era sua saída da operação. Uma pessoa que acompanhava as negociações resumiu a questão dizendo: “Tem uma questão pessoal de sair do negócio”.
Resultado da gestão
A resistência ocorreu em um momento de melhora dos resultados da companhia. A receita anual chegou a R$ 44 bilhões, valor R$ 16 bilhões superior ao registrado quando Júnior comprou a empresa, em 2023. O endividamento foi zerado, e a expectativa é de lucro de R$ 2,6 bilhões em 2026.
No mercado de saúde, Júnior é apontado ao lado de Jorge Moll, da Rede D’Or, como um dos dois grandes players do setor. A conclusão da negociação, portanto, preserva a permanência do empresário na Amil e encerra uma operação que vinha sendo discutida por seu tamanho e pelo impacto esperado no segmento.



