O S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos, está a 100 pontos de sua máxima histórica, alcançada em agosto, aos 7.816,70 pontos. A XP Research projeta que o indicador avance cerca de 15% até 2027, chegando a 8.900 pontos, e iniciou a cobertura do índice com recomendação de compra na quinta-feira, 24 de setembro.
A avaliação da casa de análise é que o impulso da inteligência artificial continuará apoiando as ações americanas mesmo diante de juros elevados e de riscos macroeconômicos. Para a XP, a alta do índice no ano foi explicada principalmente pela revisão positiva das expectativas de lucro das empresas.
Lucros compensam pressão dos múltiplos
Desde o fim de 2025, as estimativas de crescimento dos lucros aumentaram cerca de 29%. Esse avanço compensou uma queda de mais de 14% no efeito dos múltiplos preço/lucro. Considerando também os dividendos, o S&P 500 acumulava retorno de aproximadamente 13% no ano.
A XP relaciona esse desempenho ao peso das companhias expostas à inteligência artificial na composição do índice. As 10 maiores ações representam 37,8% do S&P 500. A lista inclui Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Broadcom, Meta, Micron e Tesla, empresas apontadas no relatório como tendo alto grau de exposição à IA.
Para Maria Irene Jordão, estrategista global da XP Research, a influência dessas companhias mudou a reação do mercado aos indicadores de curto prazo. “O crescimento da IA perpassa essas questões de curto prazo – como juros, inflação, emprego”, afirmou. O relatório foi assinado por Jordão, Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do research, e Raphael Figueredo, estrategista de ações.
Riscos para a projeção
O principal risco identificado pela XP é uma diferença entre as expectativas e a realização dos lucros. Caso o retorno dos investimentos em inteligência artificial decepcione ou o cenário macroeconômico piore, as projeções de resultado poderão ser reduzidas.
A casa, porém, não considera esse o cenário-base. O relatório também aborda questionamentos recentes sobre o ritmo de investimentos e a segurança dos modelos, levantados por Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, e apoiados por Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI e da Tesla.
Segundo a avaliação da XP, uma desaceleração no lançamento de modelos afetaria principalmente empresas fora do S&P 500 ligadas à estrutura física, como companhias de energia e fabricantes industriais. Para as hyperscalers, uma redução dos gastos poderia ser bem recebida pelo mercado, desde que os investimentos continuem. “Não há nenhuma intenção em pausar investimentos”, disse Jordão, ao mencionar sinais do governo americano e das companhias.
A cobertura do índice também muda a forma como a XP pretende orientar as carteiras. Antes, a estratégia global usava recomendações de sobrepeso, neutro ou subpeso. Com um preço-alvo para o S&P 500, a expectativa é obter uma referência mais precisa para definir a exposição à renda variável nas carteiras.



