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Acordo mantém Groenlândia sob soberania dinamarquesa e amplia atuação dos EUA

Pacto permite novas áreas de defesa americanas, mas reafirma a soberania da Dinamarca e a autodeterminação groenlandesa.

Acordo mantém Groenlândia sob soberania dinamarquesa e amplia atuação dos EUA

Os Estados Unidos assinaram nesta terça-feira (22) um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia sobre o futuro do território ártico. O pacto amplia as possibilidades de atuação militar americana na ilha, mas reafirma que ela permanece sob soberania dinamarquesa e reconhece o direito de autodeterminação da população groenlandesa.

Donald Trump celebrou o entendimento como uma vitória estratégica, embora não tenha obtido o controle do território, objetivo que vinha defendendo desde o início de seu segundo mandato. Antes do evento, realizado depois de seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, o presidente americano afirmou que os groenlandeses haviam pedido proteção aos Estados Unidos e que ela seria oferecida por meio de duas novas bases militares.

Presença militar americana

Os Estados Unidos já mantêm a Base Espacial de Pituffik, no norte da Groenlândia. Pelo novo arranjo, deverão trabalhar também em duas áreas utilizadas durante a Guerra Fria: o aeródromo de Narsarsuaq e Mestersvig, onde está sediada a força permanente dinamarquesa que realiza patrulhas com trenós puxados por cachorros.

O acordo, anunciado na sexta-feira (18), estabelece que os Estados Unidos podem criar áreas adicionais de defesa e reforçar operações e instalações. Essas prerrogativas, na prática, correspondem às que já estavam previstas no acordo de 1951, quando a ilha chegou a abrigar 17 bases americanas durante a Guerra Fria.

O texto também impede a presença militar de países que não façam parte da Otan, aliança liderada pelos Estados Unidos. A restrição afasta russos e chineses de uma eventual pretensão militar sobre a Groenlândia. A Dinamarca também integra a aliança.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, conseguiu incluir no acordo a reafirmação da soberania e da integridade territorial do reino, além do direito à autodeterminação do povo groenlandês. A Groenlândia é um território autônomo controlado pela Dinamarca.

O premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, apoiou o entendimento e reafirmou a importância da parceria entre os Estados Unidos e a Otan. “A Otan importa, ela é vital também no Ártico. Sua segurança é nossa segurança”, afirmou.

Disputa pelo território

A crise começou antes da posse de Trump para seu segundo mandato, em janeiro de 2025. O presidente americano já havia manifestado interesse em controlar a Groenlândia em seu primeiro governo, em 2019. Desde então, alternou sugestões de tomada militar com propostas para comprar a região semiautônoma do Reino da Dinamarca. A demanda mais recente ocorreu em julho, durante a cúpula da Otan.

Nenhuma dessas alternativas avançou. A negociação resultou no acordo desta terça-feira, depois de os dois lados apresentarem versões diferentes sobre seus termos.

O interesse americano pela Groenlândia também está ligado à posição estratégica da ilha e a seus recursos minerais. No fim do século 19, a compra do território chegou a ser cogitada. Em 1946, os Estados Unidos ofereceram à Dinamarca o equivalente atual a cerca de US$ 1,7 bilhão, mas Copenhague recusou. Em 1951, os dois países chegaram a um acordo que fixou a presença militar americana na ilha.

A Groenlândia fica sobre rotas consideradas mais curtas para mísseis nucleares russos e chineses alcançarem o território americano. Componentes do sistema de alerta antecipado da América do Norte estão concentrados na Base Espacial de Pituffik. As costas da ilha também cobrem parte das rotas de navios de guerra e submarinos russos que saem do Ártico em direção ao Atlântico Norte.

A China utiliza a região principalmente para fins comerciais. O Kremlin afirmou nesta terça-feira que os termos do acordo interessam apenas aos participantes, afastando-se da preocupação demonstrada anteriormente com a movimentação militar.

Durante a Guerra Fria, a Groenlândia chegou a ter 10 mil soldados americanos. Atualmente, o território tem 57 mil habitantes. Trump também demonstra interesse pelas jazidas de terras raras pesadas, petróleo, tungstênio, ferro e outros recursos. O derretimento do gelo provocado pela mudança climática pode facilitar uma eventual exploração mineral, hoje restrita.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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