RIADE — Turquia e Paquistão devem oferecer apoio militar à Arábia Saudita no confronto com os rebeldes houthis, aliados do Irã. A possibilidade foi anunciada nesta sexta-feira (25), após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos três países, que recentemente assinaram o Acordo de Defesa Conjunta de Meca.
O governo saudita informou que os ministros discutiram a preparação de um encontro urgente entre os chefes de Estado-Maior de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. A reunião deverá tratar de formas de apoiar Riade com base no acordo, que estabelece que um ataque contra qualquer um dos signatários será considerado um ataque contra todos.
Os houthis controlam as áreas mais populosas do Iêmen e enfrentam o governo reconhecido internacionalmente, que recebe apoio saudita. O grupo também realiza ataques de longa distância contra a Arábia Saudita, afetando o fluxo de exportação de petróleo.
Na quinta-feira (24), os rebeldes disseram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra alvos sauditas. Riade informou que seis mísseis balísticos foram disparados pelos combatentes houthis. Antes disso, autoridades sauditas haviam emitido alertas de emergência para áreas que incluíam Meca, Jeddah e Yanbu, principal porto petrolífero saudita no Mar Vermelho.
Yanbu deverá receber tropas e sistemas de defesa franceses. A medida faz parte de uma iniciativa do governo de Paris para assegurar o escoamento da produção de petróleo na região.
O anúncio da reunião militar ocorreu pouco depois de o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, tentar afastar seu país das ações houthis em declarações à imprensa dos Estados Unidos. Após participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, ele afirmou: “Os houthis são responsáveis por suas próprias ações”.
Crise humanitária no Iêmen
O conflito entre os houthis e o governo iemenita também ampliou a crise humanitária no país. O Unicef informou nesta sexta-feira (25) que houve aumento da desnutrição aguda entre crianças. Os combates dificultam o acesso a serviços de saúde e centros de tratamento.
Akhil Iyer, representante do Unicef no Iêmen, disse que a organização está preocupada com o crescimento visível do problema. Mais de um quarto das quase 2.900 crianças examinadas pelas equipes nas últimas semanas apresentava desnutrição aguda. Entre elas, 200 estavam em estado grave, condição que pode levar à morte.
O Unicef ressaltou que os dados são apenas uma amostra da situação no país. A estimativa para este ano é de 2,2 milhões de crianças iemenitas menores de cinco anos com desnutrição aguda. Desse total, mais de meio milhão devem apresentar a forma grave do quadro.
O avanço dos houthis pela costa do Mar Vermelho, em direção ao sul, provocou o deslocamento de aproximadamente 133 mil pessoas. Parte delas fugiu para a África. De acordo com o Unicef, 71 mil crianças foram obrigadas a deixar suas casas por causa do conflito.


