Centenas de milhares de crianças e adolescentes palestinos retomaram neste sábado (19) as aulas presenciais na Faixa de Gaza, depois de quase três anos de interrupção. A volta ocorre em prédios escolares danificados e em estruturas improvisadas, construídas com tendas, lonas, chapas de metal e madeira.
O Unicef informou que 98% das escolas do território foram destruídas ou danificadas durante a guerra. As autoridades educacionais palestinas calculam que 660 mil alunos ficaram sem ensino presencial e sem participação regular na educação nesse período.
Em Nuseirat, a estudante Samar Abu Salmi, de 15 anos, voltou a uma escola mantida pela UNRWA, a Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo. Ela contou que, durante a interrupção, estudava pelo celular e não encontrava os professores. A adolescente vive com a família em uma barraca e não tem acesso a grande parte do material escolar.
O comerciante Khaled Aliyan, de 30 anos, afirmou que as restrições de importação impostas por Israel reduziram o abastecimento e elevaram os preços dos artigos de papelaria. Um caderno que custava 3 shekels (US$ 1), segundo ele, passou a custar 15 (shekels).
Ibrahim Ramadan, diretor de educação de Khan Younis Oriental, disse que os ataques israelenses mataram cerca de 22 mil alunos e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores.
Mesmo com as condições precárias, o Ministério da Educação manteve o ano letivo de 2026-2027 com apoio de organizações internacionais e locais. Algumas escolas temporárias foram instaladas sobre solo arenoso e têm salas equipadas apenas com um quadro negro e alguns colchões. Parte dessas estruturas também abriga dezenas de famílias deslocadas.
“Costumávamos acordar felizes para ir à escola. Agora, quando chegamos, temos medo de balas perdidas, foguetes, ataques, tudo”, disse o estudante Yamen Abu Samra, de 14 anos. O ensino à distância continuará para os alunos que não conseguem chegar aos prédios improvisados.
As autoridades educacionais estimam que 540 mil alunos frequentem as aulas presenciais neste ano letivo. Embora um cessar-fogo tenha sido firmado em outubro de 2025, as forças israelenses ainda controlam mais de 60% de Gaza. As autoridades palestinas afirmam que mais de 73 mil pessoas foram mortas.
A Cogat, agência militar israelense responsável pelo controle do acesso a Gaza, não comentou os ataques que dificultam o abastecimento das escolas. Israel acusa o Hamas de usar prédios escolares para fins militares; os palestinos negam a acusação.


