Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Barack Obama, afirmou que Donald Trump terá de reconhecer que os Estados Unidos fracassaram na guerra contra o Irã. Em entrevista ao podcast Talk Easy with Sam Fragoso, ele disse que o presidente americano deveria aceitar a derrota, negociar a reabertura do Estreito de Ormuz e permitir ao Irã algum acesso às receitas geradas pela passagem.
“Nós fracassamos em todos os nossos próprios critérios de avaliação”, declarou Rhodes. Para ele, a destruição de estruturas iranianas não representa, por si só, o cumprimento de um objetivo político ou militar.
Acordo nuclear
Rhodes comparou os bombardeios ao acordo de 2015, firmado durante o governo Obama para limitar o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Na avaliação do ex-assessor, a negociação diplomática teve impacto maior porque previa a retirada de centrífugas, a entrada de inspetores e a remoção de material nuclear.
Ele também afirmou que os Estados Unidos foram convencidos por Israel a entrar no conflito e associou a continuidade da guerra à situação política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo Rhodes, a sobrevivência política de Netanyahu estaria ligada à manutenção do conflito, enquanto Trump não dependeria da guerra para permanecer no poder e não disputaria outra eleição.
O ex-conselheiro disse não acreditar que Trump consiga firmar um acordo de paz com Teerã. Na sua avaliação, a reação mais provável do Irã seria tentar produzir uma arma nuclear para sobreviver.
Rhodes rejeitou ainda a justificativa de que a guerra seria necessária para derrubar o regime iraniano e ajudar a população. Embora tenha descrito o governo de Teerã como indiferente ao sofrimento do próprio povo, defendeu que qualquer mudança política deve partir dos iranianos. “Acredito que o povo iraniano será mais capaz de mudar seu próprio governo se nós simplesmente o deixarmos em paz”, afirmou.
Mudança de avaliação sobre a Líbia
Rhodes também revisou sua posição sobre a intervenção militar da OTAN na Líbia, liderada pelos Estados Unidos em 2011, quando era conselheiro de Obama. A operação foi apresentada como uma forma de proteger civis do regime de Muammar al-Gaddafi, que acabou capturado e morto por rebeldes.
Quinze anos depois, Rhodes afirmou que a Líbia mergulhou em uma guerra civil com dezenas de milhares de mortos. Ele também relacionou o conflito à disseminação de armamentos pelo norte da África e ao fortalecimento de grupos extremistas. Segundo ele, Obama provavelmente discordaria dessa revisão de posição.


