A possibilidade de Donald Trump tentar influenciar a eleição brasileira é apresentada como o principal teste regional da atuação política do presidente americano na América Latina. O cenário envolve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, candidato de direita que disputa o cargo contra o atual presidente, de esquerda.
Nas últimas sete eleições realizadas na região, candidatos de direita alinhados a Washington venceram, e Trump declarou apoio explícito ao vencedor em duas delas. Na Colômbia, ele apoiou Abelardo de la Espriella, que derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda por uma diferença inferior a um ponto percentual. Cepeda era aliado do então presidente Gustavo Petro.
Em Honduras, o apoio foi dirigido a Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional. Ele venceu Salvador Nasralla, do Partido Liberal, na eleição presidencial de 2025. Asfura recebeu 40,3% dos votos, contra 39,5% de Nasralla, em uma apuração que teve atrasos, problemas técnicos e contestações.
Embora Trump não tenha declarado apoio público a um candidato brasileiro, ações do governo americano são descritas como um impulso mais discreto à candidatura de Flávio Bolsonaro. Os jornalistas Ana Ionova e Adam B. Ellick escreveram que “o governo Trump, de forma mais sutil, impulsionou o candidato de direita Flávio Bolsonaro”.
Também há preocupação com campanhas digitais favoráveis a Flávio. Publicações pagas compartilhadas por contas de direita nos Estados Unidos ampliaram projeções do mercado de previsões Polymarket que favoreciam o candidato, apesar de pesquisas eleitorais indicarem uma disputa sem favorito claro.
Respostas no Brasil
Entre as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras estão o monitoramento de ações de lobby e de campanhas de desinformação com origem no exterior, além do combate a alegações falsas sobre fraude eleitoral e da busca por apoio de governos estrangeiros.
Representações diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países mantêm conversas informais sobre uma possível resposta conjunta depois da eleição. Três diplomatas afirmaram que a intenção é defender rapidamente a integridade do resultado, independentemente de quem vença, caso o processo seja contestado.
O Tribunal Superior Eleitoral reforçou ações contra a desinformação, ampliou mecanismos de auditoria das urnas e pediu a empresas como Google e Meta planos para combater conteúdos eleitorais enganosos produzidos com inteligência artificial. O governo brasileiro e a Justiça Eleitoral foram consultados, assim como policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros. Parte dos entrevistados falou sob condição de anonimato por não ter autorização para comentar publicamente o assunto.


