A analista internacional Amanda Harumy avalia que a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil busca interferir nas eleições e ampliar a pressão sobre o governo brasileiro. Para ela, a associação entre facções criminosas e terrorismo pode criar justificativas para uma intervenção mais direta, inclusive militar.
Em carta divulgada nesta semana, Trump afirmou que o Brasil falha no combate ao crime organizado. O documento classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, conforme a posição do governo estadunidense. Na mesma carta, o presidente citou o governo interino de Delcy Rodriguez, na Venezuela, como exemplo de combate ao narcotráfico.
Harumy afirma que o tarifaço também deve ser entendido como uma forma de intervenção. A medida, segundo a analista, exerce pressão financeira para desestabilizar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também é candidato e aparece à frente nas pesquisas mencionadas por ela.
“Ela busca tensionar o debate no Brasil, reforçando a classificação das facções como terroristas”, disse Harumy em entrevista. Na avaliação da analista, a pressão dos Estados Unidos ocorre de maneira gradual e combina medidas econômicas, ameaças e comunicação política.
Estratégia regional
Harumy compara a movimentação contra o Brasil ao processo de pressão aplicado pelos Estados Unidos contra a Venezuela antes do sequestro do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Ela afirma que a política externa de Trump e Marco Rubio tem buscado ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina, em referência à Doutrina Monroe.
A analista também cita a interferência dos Estados Unidos na instauração da ditadura militar no Brasil. Para ela, a atuação atual utiliza um método mais sofisticado, que inclui a disseminação de fake news e o financiamento de estruturas de comunicação com objetivo político.
Harumy menciona Fernando Cerimedo como exemplo de liderança nesse tipo de estratégia. Segundo ela, a atuação não seria espontânea, mas parte de um planejamento voltado à ingerência dos Estados Unidos na América Latina.


