Três senadores democratas dos Estados Unidos pediram ao governo de Donald Trump que não interfira nas eleições presidenciais do Brasil, marcadas para este domingo (4). Em carta enviada na segunda-feira (28) ao secretário de Estado, Marco Rubio, os parlamentares também solicitaram o compromisso de reconhecer o resultado oficial do processo eleitoral de 2026.
Assinam o documento Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. Eles questionam medidas adotadas pela administração Trump em relação ao Brasil e afirmam que essas ações fazem parte de um padrão de interferência em processos eleitorais recentes na América Latina.
A carta pergunta se o governo norte-americano reconhecerá “o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil” e manterá relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores brasileiros. Os senadores também citam medidas tarifárias contra produtos brasileiros, sanções e a atuação dos Estados Unidos em relação a autoridades do país.
O documento menciona ainda Beattie, descrito pelos parlamentares como extremista de extrema direita e supremacista branco. Para os senadores, o histórico de declarações públicas do representante indicaria compromisso com o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras e com a promoção de interesses da extrema direita brasileira.
Referência à eleição de 2022
A carta cita o encontro entre Donald Trump e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da oposição, realizado na Casa Branca em maio. Na avaliação dos senadores, o episódio demonstra disposição do governo dos Estados Unidos de interferir na eleição brasileira.
Os parlamentares comparam a postura atual à adotada pelos Estados Unidos na eleição presidencial de 2022. Segundo eles, depois da divulgação do resultado, o governo norte-americano reconheceu rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e trabalhou com aliados para apoiar o respeito ao resultado eleitoral.
O documento também menciona os ataques de 8 de janeiro de 2023 e afirma que os Estados Unidos apoiaram o governo brasileiro e os esforços de defesa das instituições democráticas do país. Agora, os senadores dizem que a pressão diplomática, econômica e política pode enfraquecer essas instituições, reduzir a confiança no processo eleitoral e prejudicar a relação com um aliado estratégico e parceiro comercial.
Eles pedem ao Departamento de Estado respostas sobre a política dos Estados Unidos para o Brasil, incluindo a atuação relacionada aos processos eleitoral e judicial. Como exemplos de interferência recente na América Latina, citam as eleições de meio de mandato da Argentina e as eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia.


