O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu nesta quinta-feira (17) uma aproximação mais estreita entre o Canadá e a União Europeia, em meio à deterioração das relações de ambos com os Estados Unidos. O convite europeu para que o país ingresse como membro associado do bloco foi classificado por Donald Trump como um “ato hostil”, com ameaça de novas tarifas e de suspensão do comércio de alguns produtos.
Durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, Carney afirmou que canadenses e europeus podem ampliar a cooperação sem buscar domínio sobre outros países. Entre as áreas mencionadas estão minerais críticos, indústria de defesa, inteligência artificial, computação, segurança energética e pagamentos.
“Juntos, a Europa e o Canadá são ainda mais fortes”, disse o primeiro-ministro. Ele também associou a aproximação ao compromisso compartilhado com o Estado de Direito, a dignidade humana, a liberdade individual e a democracia.
Reação de Trump e resposta europeia
Trump comentou a proposta na quarta-feira (16), enquanto se dirigia a um evento na Carolina do Norte. Além de dizer que a iniciativa era “risível”, o presidente americano afirmou que poderia adotar medidas comerciais contra a Europa caso considerasse a entrada do Canadá no arranjo uma ação hostil.
O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, respondeu que o fortalecimento da parceria com o Canadá não é dirigido contra nenhum país. A proposta, segundo ele, busca ampliar a força comum entre os parceiros europeus e canadenses.
As relações do Canadá e da União Europeia com Washington se deterioraram desde o início do segundo mandato de Trump na Casa Branca, em 2025. Nesse período, os Estados Unidos impuseram tarifas comerciais e reduziram o apoio militar aos aliados, apesar da participação de todos na Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Pedido de cooperação militar
Também nesta quinta-feira (17), o Canadá solicitou formalmente sua adesão à Força Expedicionária Conjunta, coalizão militar liderada pelo Reino Unido. Criado em 2014, o grupo reúne Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido.
Antes disso, Carney se reuniu em Liverpool com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Os dois discutiram oportunidades na indústria de defesa por meio do Programa Global de Aviação de Combate, voltado ao desenvolvimento de um caça furtivo tripulado de última geração. O Canadá participa da iniciativa como observador desde julho de 2026.


