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Líderes e governos divergem sobre como conter os riscos da inteligência artificial

Empresas defendem desde uma pausa coordenada até medidas de segurança conduzidas individualmente pelo mercado e pelos governos.

Líderes e governos divergem sobre como conter os riscos da inteligência artificial

Líderes de empresas de inteligência artificial e representantes de governos divergem sobre a velocidade de desenvolvimento da tecnologia e sobre quem deve definir seus limites de segurança. Parte do setor defende coordenação internacional e uma desaceleração; outra considera que cada empresa deve administrar seus próprios riscos enquanto mantém o ritmo necessário de inovação.

A disputa entre as empresas

Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, afirmou em um ensaio que o avanço da IA se acelerou drasticamente desde meados deste ano, impulsionado também pela capacidade crescente desses sistemas de ajudar a construir novas gerações da própria tecnologia. Para ele, um episódio envolvendo a OpenAI e a Hugging Face, no qual agentes de IA realizaram ataques digitais, mostrou o potencial de danos catastróficos caso as capacidades dos modelos cresçam sem limites de segurança.

Amodei propôs três frentes para controlar esse ritmo: testes de segurança mais rigorosos, avaliações independentes de modelos avançados, coordenação entre as principais empresas do setor e cooperação internacional. Embora o plano seja apresentado em três etapas, as medidas mencionadas incluem mais de uma ação dentro dessas frentes.

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, apoiou a proposta e disse que sua empresa pretende adotar avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários. Em uma declaração anterior, publicada em um ensaio de 2015, Altman já havia classificado o desenvolvimento de uma inteligência artificial sobre-humana como uma ameaça à continuidade da humanidade.

Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX, também apoiou Amodei. Musk havia participado, em 2023, de uma iniciativa do Future of Life Institute que defendia a suspensão do desenvolvimento de IA por seis meses para permitir a criação de medidas de segurança. Ele também integrou um grupo que, em 2015, defendeu a proibição global de armas autônomas ofensivas.

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, apresentou uma posição diferente. Para ele, a concorrência e a responsabilidade individual já oferecem às empresas motivos para adotar medidas de proteção. O executivo afirmou que cada laboratório tem responsabilidade, incentivo e capacidade para avançar no ritmo necessário ao treinamento seguro de seus modelos e para implementar suas próprias salvaguardas.

Mustafa Suleyman, presidente-executivo da Microsoft AI, disse compartilhar a preocupação da Anthropic com o gerenciamento seguro da tecnologia, mas questionou a forma como o chatbot Claude é treinado em relação a conceitos de consciência e bem-estar. Ele defendeu a retirada de especulações sobre consciência dos documentos de treinamento, por considerar que esse tipo de linguagem pode dificultar o controle de sistemas superinteligentes.

Alertas e propostas fora do setor

Bill Gates, cofundador da Microsoft, afirmou que nenhum governo está preparado para as mudanças que a inteligência artificial trará à sociedade. Ele vinha destacando aplicações na área da saúde, mas também passou a alertar para ameaças ao emprego, ataques, dependência de companheiros de IA e a necessidade de uma organização internacional para administrar a tecnologia. A fundação que leva seu nome planeja investir pelo menos US$1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet e ganhador do Prêmio Nobel, apoiou a direção proposta por Amodei, embora tenha afirmado que os detalhes ainda precisam ser definidos. Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e atualmente na Anthropic, também defendeu uma união do setor em torno da proposta. Karpathy participou do desenvolvimento de tecnologias de direção autônoma e de inteligência artificial da Tesla antes de deixar a empresa em 2022 e ingressar na Anthropic em maio.

Nos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que a IA não precisa de outras barreiras de segurança além de uma liderança forte e inteligente, e disse que a China se beneficiaria do lançamento de dúvidas sobre o desenvolvimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, negociadores do Senado norte-americano discutem uma proposta que exigiria das empresas demonstrações de que adotam precauções razoáveis para impedir danos causados por suas ferramentas.

A reação chinesa foi crítica. Um editorial do Global Times, veículo apoiado pelo governo, acusou Amodei de tentar conter o desenvolvimento da IA na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado da China, afirmou que modelos avançados dos Estados Unidos, como o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI, poderiam representar riscos sérios para a infraestrutura crítica de informação chinesa. Ele pediu o fortalecimento abrangente da segurança em IA.

Europa entre regulação e autonomia

A União Europeia declarou apoio à inovação em inteligência artificial, mas condicionou o uso dos serviços à comprovação de segurança pelas empresas. Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia, apresentou essa posição enquanto Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, alertou para um risco sem precedentes de a região ficar isolada da tecnologia. Para Lagarde, a Europa precisa se tornar produtora de IA para preservar sua autonomia.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, apoiou os apelos dos principais laboratórios norte-americanos por uma pausa no desenvolvimento e disse que convidaria empresas de IA de ponta para discutir formas de lidar com os riscos. A Alemanha, porém, afirmou que interromper o desenvolvimento não é uma opção viável para a Europa. O Ministério de Assuntos Digitais alemão defendeu mais desenvolvimento e inovação como parte do fortalecimento da soberania digital, embora tenha dito que acompanha de perto os avanços globais e leva a sério os alertas dos desenvolvedores.

Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, afirmou que cresce o debate sobre um acordo internacional para administrar os riscos da IA. Ele comparou algumas propostas às negociações de não proliferação nuclear.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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