A eleição presidencial brasileira entrou no radar da imprensa internacional após o primeiro turno, realizado no domingo (4). A disputa terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente, com 47,03% dos votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 45,16%. Os dois voltarão a se enfrentar em 25 de outubro.
O resultado mantém a sucessão presidencial entre bolsonaristas e petistas pela terceira eleição consecutiva decidida em segundo turno. A diferença entre os candidatos foi destacada pelo britânico The Guardian e pela BBC, que ressaltaram a liderança de Flávio na primeira etapa. O argentino Clarín descreveu o desfecho como uma "reviravolta surpreendente e dramática" e afirmou que o senador contrariou as pesquisas eleitorais.
A eleição também foi apresentada como parte de um movimento político mais amplo na América Latina. A Reuters associou uma eventual vitória de Flávio a novos triunfos de candidatos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em sentido oposto, uma nova vitória de Lula poderia provocar, conforme a agência, dificuldades para Washington em razão de divergências comerciais e de segurança.
Disputa com efeitos regionais
O The New York Times avaliou que a eleição pode produzir efeitos além das fronteiras brasileiras e relacionou o resultado ao futuro político da América Latina. O jornal também mencionou o receio de interferência do governo de Trump.
A revista The Economist concentrou sua análise nos dois candidatos e na polarização. A publicação descreveu o próximo presidente como um herdeiro político em busca de vingança ou um esquerdista enfraquecido pela idade, além de mencionar uma possível estagnação econômica.
O espanhol El País destacou a permanência da polarização e avaliou que o bolsonarismo está próximo de voltar ao poder na principal economia latino-americana. O jornal também apontou que a expansão da direita na região pode ser decisiva na segunda etapa da votação.


