O governo dos Estados Unidos permitirá que uma delegação principal do Irã participe da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York na próxima semana. A decisão foi informada pelo Departamento de Estado nesta quinta-feira (17), enquanto Washington e Teerã mantêm negociações intermitentes para tentar encerrar a guerra entre os dois países.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a delegação terá autorização para participar da reunião em cumprimento às obrigações dos Estados Unidos como país anfitrião da ONU. Uma fonte familiarizada com a decisão disse que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, receberão vistos.
A autorização, porém, virá acompanhada de limitações. O governo americano informou que os integrantes da delegação estarão sujeitos a restrições de deslocamento e não poderão comprar artigos de luxo e outros bens. O grupo também será menor que o enviado pelo Irã no ano passado.
Restrições e contexto do conflito
Em ocasiões anteriores, os Estados Unidos impediram integrantes da delegação iraniana de entrar em lojas e limitaram seus deslocamentos a um trajeto entre a sede das Nações Unidas, a missão iraniana na ONU, a residência do embaixador iraniano na organização e o Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Teerã respondeu com ataques contra Israel e países do Golfo que abrigam bases norte-americanas. Desde então, o governo do presidente Donald Trump e líderes iranianos têm mantido negociações intermitentes para buscar o fim do conflito.
O acordo de sede da ONU, de 1947, em geral obriga os Estados Unidos a permitir o acesso de diplomatas estrangeiros às Nações Unidas. Washington, no entanto, afirma que pode negar vistos por razões de segurança, terrorismo e política externa.
Na quarta-feira, o governo americano anunciou que não permitiria a entrada de autoridades palestinas na reunião da ONU. A medida prolonga uma proibição em vigor desde o ano passado. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, teve o visto negado, conforme informou uma autoridade palestina. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não havia respondido imediatamente a um pedido de comentário.


