NOVA YORK — Negociadores dos Estados Unidos e do Irã discutem nesta quinta-feira (24) um acordo em etapas para encerrar a guerra entre os dois países. A proposta inclui a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio econômico imposto por Washington a Teerã.
Uma autoridade iraniana afirmou que o caminho mais plausível para superar o impasse seria permitir que o Irã recuperasse o acesso a ativos financeiros congelados em razão das sanções americanas. “A primeira seria acabar com o bloqueio e reabrir o Estreito de Ormuz”, disse.
A ideia de um entendimento após as eleições de meio de mandato para o Congresso americano, marcadas para 3 de novembro, já havia sido apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pressão nas negociações
Uma autoridade da Casa Branca afirmou que Trump tem a decisão final sobre os próximos passos e que as sanções e o bloqueio atingiram a economia iraniana. Na avaliação dessa fonte, o presidente poderia esperar o colapso do Irã em vez de aceitar uma solução conduzida por Teerã.
Apesar da busca por uma saída diplomática, uma autoridade iraniana disse que o país se prepara para voltar a intensificar os ataques contra Washington. A fonte acusou os Estados Unidos de usar o bloqueio econômico e a ameaça de novas ofensivas militares para pressionar o governo iraniano. “Nossos dedos estão no gatilho”, afirmou.
Uma autoridade europeia familiarizada com as conversas disse que o Irã mantém uma lista extensa de exigências. Entre as possíveis mudanças, o governo iraniano estaria disposto a retirar do acordo principal a cobrança de taxas de trânsito para embarcações de outros países que passem pelo Estreito de Ormuz. O fim do bloqueio econômico, porém, se tornou prioridade para Teerã.
Os demais países do Golfo Pérsico se opõem à cobrança. Seus líderes se reuniram separadamente com Trump em Nova York e pediram que ele esclarecesse quais seriam os planos dos Estados Unidos depois das eleições, incluindo a possibilidade de retomada de ações militares caso o Irã deixasse as negociações.
A questão central das tratativas é a reabertura da rota marítima por onde, antes da guerra, passava 20% do petróleo consumido no mundo.


