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Ciência

Vestígios sob hospital em Paris podem localizar a Lutécia dos gauleses

Muro queimado, artefatos e técnica celta encontrados na Île de la Cité reforçam a hipótese de que a antiga cidade ficava no local.

Vestígios sob hospital em Paris podem localizar a Lutécia dos gauleses
Foto: Anastasia Choquet/DRAC Île-de-France

As primeiras análises de carbono-14 feitas em elementos de madeira encontrados sob o Hôtel-Dieu indicam que eles datam de entre 200 e 10 a.C. O resultado é uma das evidências que podem relacionar uma estrutura descoberta no hospital à antiga Lutécia, assentamento dos parísios descrito nos relatos de Júlio César.

A identificação ainda não é definitiva. Os arqueólogos precisam esclarecer a função do muro, além das datas de construção e abandono, e investigar uma plataforma localizada atrás dele. Novas escavações também devem procurar ocupações mais antigas sob essa área.

Vestígios de fogo e arquitetura gaulesa

A estrutura está no pátio do Hôtel-Dieu, na Île de la Cité, ilha situada no rio Sena, próxima à Catedral de Notre-Dame. As escavações começaram em fevereiro deste ano, durante as obras de reestruturação do complexo hospitalar.

O muro tem cerca de 20 metros e foi construído com grandes blocos de pedra e vigas de madeira interligadas. Essa técnica é associada às fortificações gaulesas do fim da Idade do Ferro. Atrás da construção, os pesquisadores encontraram uma plataforma artificial de dois metros de espessura, feita de areia e cascalho, o que reforça a possibilidade de que o conjunto integrasse uma fortificação de grandes dimensões.

Uma ponta de lança gaulesa foi localizada aos pés do muro. Também foram identificados sinais de um incêndio intenso, incluindo partes carbonizadas, sementes queimadas e restos de uma construção de madeira destruída pelo fogo. Os objetos de cerâmica encontrados no sítio são contemporâneos à época de César.

A cidade dos parísios

A Lutécia gaulesa era um ópido, termo usado para assentamentos fortificados que funcionavam como centros de poder, comércio e controle das rotas de comunicação em sociedades celtas e romanas. O local pertencia aos parísios, povo celta que vivia às margens do Sena e cujo nome deu origem ao de Paris.

A cidade aparece nos relatos de Júlio César sobre as Guerras Gálicas, ocorridas entre 58 e 50 a.C. Em 53 a.C., o general romano teria ido a Lutécia para convocar uma assembleia de gauleses. No ano seguinte, os parísios enfrentaram, na Batalha de Lutécia, as tropas comandadas por Tito Labieno, tenente de César.

Os relatos dizem que, diante do avanço romano, os gauleses incendiaram o próprio ópido e destruíram as pontes para evitar a captura da cidade. A combinação entre a destruição pelo fogo, a arquitetura e os artefatos encontrados no Hôtel-Dieu pode corresponder a esse episódio.

Uma hipótese ainda em investigação

Até agora, não havia evidência arqueológica conclusiva de que a Lutécia dos parísios estivesse na Île de la Cité. A hipótese se baseava principalmente na permanência do nome da cidade e na descrição de César sobre uma ilha ligada por pontes em uma curva do Sena. A falta de vestígios também levou pesquisadores a considerar outros locais, como Nanterre.

Dorothée Chaoui-Derieux, curadora-chefe de patrimônio do Serviço Regional de Arqueologia do DRAC Île-de-France, afirmou que a arquitetura, os sinais de incêndio e os artefatos levantaram a possibilidade de a equipe ter encontrado as primeiras evidências materiais do ópido descrito nos relatos romanos.

“Esta descoberta preenche uma lacuna arqueológica”, disse Stéphane Deschamps, curador regional de arqueologia do Serviço Regional de Arqueologia do DRAC Île-de-France. Segundo ele, a muralha e seu contexto podem ajudar a resolver o debate sobre a localização de Lutécia.

Se a hipótese for confirmada, o achado poderá fornecer a primeira evidência arqueológica do ópido dos parísios na Île de la Cité e estabelecer uma ligação direta entre a Lutécia gaulesa e a cidade que se desenvolveu depois, no período galo-romano.

Como o incêndio fragilizou os vestígios, eles não poderão ser preservados integralmente no local. A equipe pretende produzir uma réplica por meio de fotogrametria 3D e reconstruir o muro incorporando algumas das pedras originais encontradas durante a escavação.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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