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Ciência

Crânio de mulher enterrada de bruços revela possível punição na China medieval

Análise de restos encontrados em Henan identificou ossos nasais amputados e sinais de cicatrização após o ferimento.

Crânio de mulher enterrada de bruços revela possível punição na China medieval

A forma como uma mulher foi enterrada e as marcas encontradas em seu crânio levaram pesquisadores a identificar um possível caso de amputação penal do nariz na China medieval. Os restos indicam que ela sobreviveu por anos ao ferimento, embora não seja possível determinar qual crime teria motivado a punição.

O esqueleto foi localizado em 2019 no cemitério de Sanzhiyuan, na província de Henan. Cerca de 300 esqueletos foram descobertos durante as escavações. A identificação do caso ocorreu somente em 2024, quando o arqueólogo Yawei Zhou, da Universidade de Zhengzhou, revisou os materiais encontrados no local.

Marcas no crânio e sinais de sobrevivência

A abertura nasal do crânio, chamada abertura piriforme, era maior que o esperado. A análise mostrou que os dois ossos nasais tinham sido parcialmente amputados, restando aproximadamente metade da ponte do nariz. Também foram observadas fraturas em vários ossos internos da região.

As extremidades desses ossos apresentavam sinais de cicatrização. Para os pesquisadores, isso indica que a mulher não morreu imediatamente depois da mutilação e permaneceu viva por anos. A lesão provavelmente deixou a parte central do rosto com uma aparência descrita no estudo como “oca”.

A equipe não descartou totalmente a possibilidade de a alteração ter sido causada por uma doença ou por uma condição congênita. Ainda assim, considera mais provável que tenha ocorrido uma amputação como punição. A posição do corpo contribuiu para essa interpretação: a mulher estava sozinha, de bruços e dentro de um caixão de madeira, na extremidade sul do cemitério. O único objeto funerário encontrado era um grampo de cabelo de cobre.

Qian Wang, antropólogo biológico da Universidade Texas A&M e coautor do estudo, afirmou que o sepultamento pode indicar rejeição social: “Ela foi enterrada de bruços, o que sugere uma atitude discriminatória”.

Punição registrada em documentos antigos

As datações por radiocarbono indicaram que a mulher viveu entre 1298 e 1404, período correspondente à Dinastia Yuan ou ao início da Dinastia Ming. No final da Dinastia Yuan, crimes como o roubo de animais — incluindo gado e burros — e o adultério podiam levar à amputação do nariz, segundo Wang. Não há, porém, elementos que permitam saber qual dessas possibilidades se aplicaria ao caso.

A prática aparece em registros históricos chineses. Inscrições em ossos oraculares da Dinastia Shang, que governou entre 1600 e 1046 a.C., representavam a amputação nasal com caracteres que mostravam uma faca ao lado do nariz.

A mutilação integrava as chamadas Cinco Punições da China dinástica antiga, ao lado da tatuagem, da amputação dos pés, da castração masculina e da morte. Apesar desses registros, o estudo publicado em 3 de setembro na revista Journal of Archaeological Science: Reports apresenta o primeiro possível caso de amputação penal do nariz identificado cientificamente em um esqueleto arqueológico.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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