O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, estreou nesta quarta-feira (23) o programa de rádio Criterio Compartido, transmitido ao vivo pela emissora nacional Radio Rebelde. Apresentado ao lado da jornalista Bárbara Betancourt, o programa será exibido a cada duas semanas, às quartas-feiras, com a proposta de aproximar o governo da população.
Com o slogan “Cada voz em Cuba importa”, a atração recebe ouvintes de diferentes territórios do país. Eles podem apresentar perguntas, reclamações e opiniões sobre as transformações econômicas e sociais em andamento e sobre a aplicação das novas medidas.
Na primeira edição, participantes relataram dificuldades do cotidiano. Uma aposentada disse que a pensão não é suficiente para viver, enquanto um trabalhador mencionou a alta inflação. Também foi apresentado o relato de uma mulher de Cienfuegos, integrante de uma rede de produtoras de alimentos.
A mulher questionou a distância entre as orientações nacionais e sua execução nos territórios. Ela afirmou que solicitava havia mais de dez anos uma terra não cultivada para produzir alimentos destinados à comunidade. Segundo o relato, o terreno continuava sem uso e cheio de lixo, embora o Ministério da Agricultura tivesse investigado o caso e decidido a favor da solicitação. A concessão não teria ocorrido por problemas burocráticos na esfera municipal.
Díaz-Canel reconheceu a situação e afirmou que ela receberia uma resposta sobre a terra. O presidente também defendeu o fortalecimento do controle popular sobre a forma como as decisões chegam aos municípios.
Rádio como canal de participação
Criterio Compartido é o segundo espaço de comunicação periódica de Díaz-Canel com a população. O primeiro foi o podcast Desde la Presidencia, lançado no início de 2024 e encerrado em meados de 2025, após 32 episódios. O programa abordou temas como o aumento do preço do serviço de internet e a crise do sistema elétrico.
A nova atração se diferencia por usar o rádio, meio de comunicação de amplo alcance nos lares cubanos. A escolha ocorre em um contexto de conexão à internet instável e cara e de cortes de energia que afetam boa parte do país, conforme apresentado no programa.
O diálogo com a população ocorre enquanto Cuba enfrenta uma forte crise e debates sobre as mudanças econômicas e sociais implementadas pelo governo. Díaz-Canel atribui parte das dificuldades aos efeitos da guerra econômica que, segundo o governo cubano, os Estados Unidos mantêm contra a ilha. O programa foi apresentado como um espaço para levar ao ar preocupações, reivindicações, perguntas e críticas dos cidadãos.
Defesa das mudanças econômicas
Durante a transmissão, Díaz-Canel mencionou as 176 transformações econômicas em implementação no país e afirmou que a participação popular deve ocupar posição central nesse processo. Para o presidente, a iniciativa privada, o mercado e o investimento estrangeiro podem existir, mas as decisões devem permanecer submetidas ao povo e às instituições.
Ele também sustentou que o mercado deve ser tratado como uma ferramenta, e não como autoridade sobre a sociedade. Na avaliação apresentada no programa, as mudanças só poderão atender às necessidades da maioria se a população participar, fiscalizar e cobrar sua execução.
O presidente rejeitou a ideia de que as medidas representem uma transição para o capitalismo. Ele as descreveu como uma atualização do modelo econômico e social cubano dentro de uma construção socialista, adaptada às circunstâncias do país.
Díaz-Canel afirmou ainda que a Revolução Cubana já precisou adotar mecanismos e decisões que não considerava desejáveis, mas que foram apresentados como necessários para preservar suas conquistas. Nesse argumento, defendeu a manutenção do socialismo como objetivo das transformações em curso.


