Joachim Nagel afirmou que o Conselho do Banco Central Europeu (BCE) deve manter uma abordagem baseada nos dados disponíveis para enfrentar a incerteza sobre a inflação na zona do euro. Dirigente do BCE e presidente do banco central da Alemanha, o Bundesbank, ele disse que os riscos de alta predominam nas perspectivas para os preços.
“Essa elevada incerteza em torno das perspectivas de inflação exige flexibilidade, e não inação”, declarou Nagel em discurso preparado para um evento nesta segunda-feira. Ele afirmou que as decisões continuarão sendo tomadas a cada reunião e avaliou que esse método tem funcionado até o momento.
Geopolítica e preços
A trajetória futura da inflação, segundo Nagel, continuará dependendo fortemente da geopolítica. Uma reabertura sustentada do Estreito de Ormuz, a normalização dos fluxos de energia e a recuperação da capacidade de refino poderiam diminuir a pressão sobre os preços. Em contrapartida, uma nova escalada teria potencial para encarecer ainda mais a energia e provocar perturbações adicionais.
Apesar dos riscos, o dirigente disse não haver, até agora, sinais claros de que a inflação tenha se disseminado para a formação de preços e salários. As expectativas de longo prazo, acrescentou, continuam compatíveis com a meta de inflação de 2%.
Nagel também mencionou argumentos a favor de uma diversificação maior das reservas em ouro. Ele relacionou o aumento recente dos rendimentos dos títulos públicos globais à atratividade relativa desses ativos, mas observou que o avanço do endividamento elevou as preocupações com o risco de crédito. Para o dirigente, os riscos geopolíticos também devem continuar influenciando as decisões de gestão de reservas.


