O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, fez um discurso de confronto na Assembleia Geral da ONU, marcado por críticas a delegações que deixaram o salão, ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a países que aplicaram sanções contra Israel. Como em 2025, convidados e aliados de Tel Aviv nas tribunas aplaudiram e gritaram em apoio ao premiê, levando o presidente da Assembleia a pedir ordem antes da fala.
Assim como no ano anterior, dezenas de delegações se levantaram e saíram do salão, entre elas a do Brasil. Netanyahu respondeu aos presentes logo no início: “Se ainda há covardes que não deixaram o salão, o façam agora por favor”.
Ataques a críticos e referências ao conflito
O premiê mencionou o líder sírio Ahmed al-Sharaa, que havia afirmado que as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, fazem parte do território sírio. Netanyahu respondeu dizendo que os judeus estavam na região desde o tempo de Moisés e recomendou ao líder sírio a leitura da Bíblia.
Durante o discurso, Netanyahu também exibiu objetos para sustentar seus argumentos. Ele mostrou um pager, associado aos aparelhos explodidos em uma operação contra o Hezbollah, para atacar o grupo libanês. Em seguida, apresentou um dispositivo de internet Starlink, de Elon Musk, e afirmou que o Irã impede seus cidadãos de se comunicar com o mundo.
O ataque de 7 de Outubro, atribuído ao Hamas, voltou a ser comparado por Netanyahu aos atentados de 11 de Setembro. O ataque contra Israel, ocorrido em 2023, matou 1.200 pessoas e deu início à guerra na Faixa de Gaza. O território foi descrito no discurso como destruído pelas forças israelenses, com mais de 73 mil palestinos mortos.
Netanyahu também criticou Zohran Mamdani, prefeito de Nova York. O premiê afirmou que ele apoia o Hamas e terroristas e o acusou de ter chamado Israel de genocida e de tentar impedir sua viagem à cidade. “Israel não cometeu genocídio, mas preveniu o genocídio”, disse.
Mamdani, o primeiro muçulmano a ocupar a prefeitura de Nova York, transformou as críticas ao governo de Netanyahu e às ações israelenses em Gaza em parte importante de sua campanha. Em julho, publicou um vídeo em que dizia que Netanyahu seria preso caso visitasse a cidade, por causa do mandado de prisão aberto contra o premiê no Tribunal Penal Internacional. Depois, reconheceu publicamente que não teria autoridade para prendê-lo.
Assentamentos e disputa política
Netanyahu também rejeitou as acusações de colonialismo feitas contra Israel por países como França e Reino Unido. Ele criticou sanções recentes dirigidas a Israel por causa de assentamentos judeus em terras palestinas ocupadas na Cisjordânia e descreveu os colonos como cidadãos que respeitam a lei. O texto também registra o crescimento de casos de violência contra palestinos enquanto o governo aprova licitações para novos assentamentos.
A cidade sede da ONU teve protestos contra Israel e contra o apoio militar dos Estados Unidos ao país. O gabinete de Netanyahu afirmou que o governo pagou por 500 outdoors e propagandas favoráveis a Israel e contrárias ao Irã, instalados na cidade.
O discurso também foi dirigido ao público doméstico. Israel terá eleições parlamentares em outubro, que, segundo pesquisas, devem ser acirradas e podem terminar sem maioria clara para nenhum dos blocos, inclusive o do premiê. As pesquisas também indicam apoio elevado à guerra contra o Hamas dentro de Israel.


