HAITI — O Conselho de Segurança das Nações Unidas prorrogou por seis meses o mandato da Força de Supressão de Gangues no Haiti. A missão continuará voltada ao combate de grupos armados que controlam grandes partes do território do país, em meio à preparação para a eleição presidencial prevista para dezembro.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (29). Doze países votaram a favor: Estados Unidos, França, Reino Unido, Bahrein, Colômbia, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Panamá, República Democrática do Congo e Somália. Não houve votos contrários. China, Rússia e Paquistão se abstiveram, citando preocupações com a falta de recursos financeiros, pessoal e eficácia da operação.
A prorrogação foi aprovada com o objetivo de reforçar a segurança durante a eleição, que será a primeira no Haiti em uma década. Governos de transição vêm adiando sucessivamente o pleito diante do agravamento da insegurança. Esse cenário já levou cerca de 1,5 milhão de pessoas a deixarem suas casas.
A Força de Supressão de Gangues foi criada em setembro de 2025, em substituição à antiga Missão Multinacional de Apoio à Segurança, que não alcançou seus objetivos. Mesmo após a mobilização da nova força, grupos armados seguem controlando extensas áreas do país.
Efetivo e novos ataques
Os Estados Unidos estão entre os países que propuseram a criação da força. O embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, afirmou que cerca de 1500 soldados estão mobilizados no Haiti, menos de 30% do efetivo previsto. Segundo ele, mais 4 mil militares devem chegar nos próximos meses. Waltz também declarou que outras sete missões foram dedicadas ao Haiti nas últimas décadas, com sucesso limitado, e que a atual operação busca adotar uma abordagem diferente.
Poucas horas antes da votação, membros de gangues incendiaram casas e mataram pelo menos 11 pessoas em Gros-Morne, no noroeste do Haiti. Um prefeito local classificou o ataque como retaliação depois que a força matou três criminosos durante uma operação contra pedágios ilegais.
Em agosto, um massacre em Kenscoff deixou 47 mortos, 22 feridos e mais de 50 pessoas sequestradas. A comunidade agrícola fica nas montanhas próximas a Porto Príncipe, a capital haitiana. O mandato foi renovado até 31 de março de 2027.


