O Quênia confirmou nesta terça-feira (6) seu primeiro caso de Ebola no atual surto que atinge a África Central. O paciente era um cidadão queniano que havia viajado à República Democrática do Congo, onde contraiu o vírus. Ele morreu na noite de segunda-feira (5), e o enterro foi realizado sob protocolos para impedir a propagação da doença.
O homem começou a apresentar sintomas ainda no Congo, permaneceu no país por um mês, viajou até Kampala, capital de Uganda, e depois embarcou para o Quênia. Ele chegou a Nairóbi no sábado. No aeroporto, passou por uma triagem e foi liberado.
O ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, afirmou que o enterro seguiria os protocolos de segurança. Patrick Amoth, diretor-geral do Ministério da Saúde, disse que a medicação pode ter mascarado os sintomas e contribuído para que o caso não fosse identificado na triagem.
Situação regional
O Quênia é o terceiro país a registrar um caso da doença no surto. No início do ano, Unganda registrou 20 pessoas infectadas e duas mortes, mas foi declarado livre do vírus em agosto.
A situação mais crítica está na República Democrática do Congo, onde o Ebola infectou 8 mil pessoas e causou mais de 4.000 mortes. O surto é o maior da história do país e o segundo mais letal já registrado no mundo, atrás apenas da epidemia que atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016. Naquele período, 28,6 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.
O surto atual foi declarado em meados de maio, embora possa ter começado meses antes. Ele é causado pela cepa Bundibugyo, considerada rara e sem vacina ou tratamento comprovado. Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde enviou ao governo congolês 70 mil doses do imunizante Everbo, cuja efetividade é comprovada contra a cepa do tipo Zaire.
A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas. A doença pode provocar febre, vômito, diarreia e, nos casos graves, hemorragias internas e externas. Duale afirmou que o Quênia mantém alto nível de alerta desde o início do surto, em maio.


