A Rússia atacou nesta sexta-feira (2) três pontes importantes de Kiev, em uma mudança na estratégia empregada na guerra contra a Ucrânia. Ao menos uma pessoa morreu, e duas das estruturas ficaram fechadas durante a manhã, provocando congestionamentos na capital. O tráfego foi retomado no começo da tarde.
As pontes atravessam o rio Dnieper, que divide Kiev. A capital tem oito passagens principais sobre o rio, e elas são essenciais para a circulação entre as áreas leste e oeste da cidade. Antes da guerra, o lado leste concentrava 30% dos 3 milhões de habitantes, mas apenas 18% dos empregos. A maior parte dos postos de trabalho fica na região oeste.
O prefeito Vitali Klitschko descreveu a situação como “muito dramática” e afirmou: “Não dá mais para fingir que nós podemos viver agora como em tempos de paz”. O Ministério da Defesa russo confirmou a ação e disse que as pontes são usadas para transportar tropas e equipamentos militares em direção ao Donbass, no leste, onde está a principal frente de batalha.
Disputa por infraestrutura
O ataque ocorreu um dia depois de Vladimir Putin declarar que ações russas contra estruturas civis ucranianas seriam uma retaliação a ataques de Kiev contra a Rússia. A campanha ucraniana com drones de longa distância contribuiu para uma crise no abastecimento de combustível no território russo.
Na quinta (1º), a Ucrânia informou ter usado pela primeira vez em combate um míssil balístico produzido no país, o FP-7. Os detalhes não foram divulgados. Nesta sexta, aviões-robôs atingiram duas refinarias no sul da Rússia.
Putin visitou um campo de treinamento de uma nova geração de drones a jato, chamados Gerânio-4 e 5. Mais rápidos que os modelos a hélice, eles são considerados mais difíceis de enfrentar pelas defesas aéreas usuais. Para reforçar a capacidade de resposta, Kiev fechou acordos com Polônia, Bélgica e Espanha para receber munição de 20mm destinada às metralhadoras de seus caças F-16.
A Ucrânia afirma precisar de ao menos 300 mísseis de interceptação Patriot para oferecer proteção mínima à capital durante a campanha de inverno, prevista para começar no fim de dezembro no Hemisfério Norte. Há preocupação de que a Rússia ataque o sistema energético ucraniano quando as temperaturas caírem, depois de, no ano passado, o governo ter instalado tendas com aquecimento portátil para evitar mortes por frio.
Também existe o temor de uma ofensiva contra subestações, linhas de transmissão, hidrelétricas e instalações ligadas à rede abastecida pelas três usinas nucleares que permanecem sob controle ucraniano. Imagens de drones Gerânio-4 atingindo redes de transmissão circularam nesta semana, mas a autenticidade de planos atribuídos à Rússia para uma ofensiva com mais de mil mísseis e drones não foi confirmada.



