A secretária parlamentar Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu quatro ingressos para o Camarote Arpoador durante o desfile das campeãs, após negociar uma emenda parlamentar com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Cada convite custava em torno de R$ 3 mil. Para os investigadores, o pedido representa uma “solicitação de vantagem indevida”.
As mensagens foram obtidas pela Polícia Federal na Operação Emendatio, deflagrada em julho deste ano. A investigação apura o desvio de emendas destinadas a entidades ligadas ao ex-deputado federal Chiquinho Brazão e ao ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Domingos Brazão. Os dois foram condenados no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
A negociação da emenda
Entre os repasses analisados está uma transferência de R$ 200 mil, feita em 2023 pelo gabinete de Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade vinculada aos irmãos Brazão. A negociação envolveu diretamente Maria de Fátima e Robson Calixto, que tinha contato com o parlamentar e cobrava informações sobre o andamento do recurso.
Em uma das conversas, a assessora convidou Calixto para um evento com Flávio, onde ele poderia “reforçar o pedido com o senador”. Depois das tratativas sobre a emenda, em janeiro de 2024, Maria de Fátima voltou a procurá-lo para pedir os ingressos. Calixto encaminhou a solicitação a um dos organizadores do evento.
A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Em nota, afirma que a emenda “foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte” e que a execução dos recursos cabe à entidade beneficiária. Segundo a defesa, eventuais irregularidades devem ser examinadas pelos órgãos de controle.
Flávio não comentou a atuação da assessora, que continua lotada em seu gabinete no Senado. Em setembro deste ano, Maria de Fátima recebeu salário bruto de R$ 33,5 mil. Calixto foi citado na delação de Ronnie Lessa, apontado como intermediário entre mandantes e executores do crime. Sua defesa nega envolvimento, mas ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do caso no início de 2026.


