SÃO PAULO — Flávio Bolsonaro passou a explorar a imagem de Nossa Senhora Aparecida em sua comunicação eleitoral depois de atacar a Igreja Católica e acusar integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado o PT a divulgar uma suposta informação falsa contra sua candidatura.
A mudança ocorreu na reta final da campanha e colocou no centro do debate a estratégia religiosa do candidato. Ao mesmo tempo em que se apresenta como defensor da fé cristã, Flávio tenta responder à repercussão de uma controvérsia envolvendo a Padroeira do Brasil.
Acusações contra a CNBB
No domingo (27), Flávio afirmou que pessoas dentro da CNBB teriam colaborado com o PT para disseminar a informação. Ele não apresentou documentos, nomes ou outras evidências para sustentar a acusação. A entidade negou participação na produção ou divulgação de desinformação relacionada às eleições.
Em nota, a CNBB afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e disse que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição. Também declarou que não produziu, autorizou nem participou da elaboração ou divulgação de informações falsas e que não integra estruturas político-partidárias.
A acusação veio depois de Flávio classificar como falsa a informação de que poderia apoiar a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A origem de parte da confusão estava em um projeto de lei apresentado em 2007 e arquivado em 2008.
A controvérsia também recuperou uma declaração feita pelo candidato em agosto. Na ocasião, Flávio havia dito que, se fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Reação durante a campanha
Depois dos ataques à CNBB, a imagem de Nossa Senhora Aparecida passou a integrar a comunicação política do candidato. O símbolo religioso deixou de aparecer apenas no contexto da fé e foi incorporado à disputa eleitoral, em uma tentativa de associar Flávio à defesa do cristianismo.
A sequência de episódios também foi acompanhada por manifestações de rejeição. Flávio foi recebido com vaias e gritos de “fariseu” e “mentiroso” no Centro de São Paulo. Durante um ato no Brás, na segunda-feira (28), um gerador instalado em um carro de som pegou fogo por volta das 11h10, enquanto Ricardo Nunes discursava e antes da chegada do candidato. O equipamento foi substituído, e a campanha continuou.
Vídeos e relatos sobre a caminhada no Brás também registraram manifestações contrárias a Flávio. A sucessão dos acontecimentos deixou a religião no centro da comunicação eleitoral do candidato: primeiro, ele contestou uma informação que considerou prejudicial; depois, acusou uma instituição nacional de participar da divulgação sem apresentar provas; em seguida, passou a usar a imagem de Nossa Senhora Aparecida em sua campanha.


