O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que a crise interna no Supremo Tribunal Federal não pode interferir nas eleições deste ano. Em entrevista ao podcast Desce a Letra, ele disse que Edson Fachin, presidente da Corte, deve impedir que os conflitos produzam esse efeito sobre o processo eleitoral.
“Não dá para a sociedade ficar assistindo esse denuncismo. A sociedade está atônita”, declarou Lula, ao comentar a sessão realizada no dia anterior. Durante a transmissão, André Mendonça e Luiz Fux discutiram com Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
A sessão analisou uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, decano do STF, para que os casos envolvendo Moraes e Mendonça sejam julgados conjuntamente. O placar está em 4 x 3 pela separação dos processos. A próxima sessão está marcada para quinta-feira (23) e deve tratar da abertura de investigação contra Mendonça, relator do inquérito do Master no Supremo.
Lula pediu seriedade dos ministros na avaliação dos casos e afirmou que ninguém está acima da lei. Para o presidente, as condutas dos envolvidos precisam ser apuradas e os responsáveis devem ser punidos. Ele também disse que a Suprema Corte não pode ter sua imagem comprometida pelo envolvimento de Vorcaro, a quem chamou de mafioso.
Reforma do Judiciário
O presidente relacionou a crise no STF à necessidade de discutir uma reforma do Poder Judiciário. Segundo Lula, a medida faz parte dos compromissos de sua campanha e será implantada caso ele seja reeleito para um eventual quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.
Lula afirmou que a reforma não deve ser feita de maneira precipitada, mas defendeu que o tema seja retomado diante das queixas e da avaliação de que a imagem do Judiciário não está boa. Para ele, a falta de mudanças pode ampliar a incerteza sobre o futuro do país.


