A participação de militares na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro ocorre de maneira mais discreta do que nas disputas eleitorais ligadas a Jair Bolsonaro. A quatro dias do primeiro turno, integrantes da ativa e da reserva passaram a adotar maior cautela na manifestação de apoio ao candidato.
A mudança não representa necessariamente um afastamento ideológico do bolsonarismo. Um ex-integrante do primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro, que também é militar, atribuiu a diferença principalmente à trajetória de Flávio. Ao contrário do pai, que foi capitão do Exército, o candidato é visto por esse interlocutor como um civil sem vínculo com a carreira militar.
A fonte também relacionou a postura atual ao cenário político e jurídico dos últimos anos. Na avaliação apresentada, militares devem permanecer concentrados em suas missões constitucionais, nos deveres ligados à pátria, à lei e à ordem. O mesmo interlocutor afirmou que há menos militares concorrendo a cargos eletivos.
Efeito das investigações sobre o 8 de janeiro
As investigações e condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 também influenciaram a forma como parte dos militares se manifesta politicamente. O coronel e vice-prefeito de São Paulo Mello Araújo, aliado do bolsonarismo, afirmou que a base militar continua apoiando Flávio, mas passou a agir com mais cautela.
Para Mello Araújo, o episódio ainda provoca receio entre os apoiadores e afeta a disposição de expressar opiniões. “Infelizmente, vejo que as pessoas têm medo de se manifestar; vivemos sob insegurança jurídica”, disse. Ele afirmou que até mensagens em grupos de WhatsApp passaram a ser avaliadas com cuidado.
A campanha de Flávio Bolsonaro busca preservar a aproximação com o eleitorado conservador, mas sem repetir a exposição de militares observada nas campanhas de Jair Bolsonaro. A diferença é apresentada como resultado da combinação entre o perfil civil do candidato e o ambiente político e jurídico posterior ao 8 de janeiro.


