O Movimento Coralinas, identificado no texto como um movimento político feminista ligado à torcida do Santa Cruz Futebol Clube, defende que o futebol é atravessado por disputas sociais, culturais e econômicas. Para o grupo, a ideia de que futebol e política não devem se misturar contribui para afastar questões sociais dos espaços populares.
Na avaliação do movimento, a própria origem do Santa Cruz está ligada à exclusão de trabalhadores, pessoas negras e moradores das periferias das estruturas esportivas. Por isso, afirmar que o clube pertence a todos sem defender grupos submetidos a ataques seria, segundo as Coralinas, uma forma conveniente de neutralidade.
Críticas à mercantilização e às apostas
O grupo também critica a transformação dos torcedores em consumidores, associada aos preços dos ingressos e à elitização das arenas. As empresas de apostas esportivas online, chamadas de bets, são apontadas como parte desse processo. Para o movimento, essas plataformas retiram recursos de famílias periféricas e de baixa renda, ampliam o endividamento e ameaçam a integridade das competições por meio de esquemas de manipulação de resultados.
As Coralinas afirmam ainda que os efeitos das apostas recaem especialmente sobre as mulheres. Mães, esposas e chefes de família, segundo o movimento, absorvem as consequências do endividamento quando o dinheiro destinado à alimentação, ao aluguel e à manutenção da casa é comprometido. O grupo relaciona esse cenário ao aumento do trabalho de cuidado não remunerado, à sobrecarga de jornadas e à precarização da vida doméstica.
O movimento também sustenta que o vício em apostas tensiona as relações familiares e pode funcionar como estopim para a violência doméstica. Por isso, considera o combate à expansão das bets uma pauta central da esquerda.
Apoio a Lula
As Coralinas declararam apoio à candidatura de Lula como parte da defesa da classe trabalhadora, das mulheres e da diversidade. O grupo afirma que a escolha busca barrar um projeto de extrema direita que, em sua avaliação, retira direitos, incita hostilidade contra mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, negros e povos indígenas e fortalece a repressão estatal nas periferias.
Para o movimento, a criminalização das torcidas organizadas e o tratamento das arquibancadas como caso de polícia ameaçam a cultura do futebol popular. A defesa de um projeto popular, soberano e de esquerda é apresentada como forma de preservar a identidade do Santa Cruz como Clube do Povo.


