Desde 2006, candidatos de direita têm obtido nas urnas resultados superiores aos indicados pelas pesquisas divulgadas nos dias anteriores ao primeiro turno. O padrão aparece com Geraldo Alckmin, em 2006, Aécio Neves, em 2014, e Jair Bolsonaro, em 2018 e 2022. A diferença entre projeções e resultados cria um alerta para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e sustenta as expectativas da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em 2006, o Datafolha indicava Lula com 53% dos votos válidos e Alckmin com 35% quatro dias antes da votação. Na véspera, o petista aparecia com 50%, enquanto o tucano havia subido para 38%. O resultado nas urnas foi de 41,64% para Alckmin, acima da margem de erro, levando a disputa ao segundo turno.
Na eleição de 2010, o movimento foi diferente. Dilma Rousseff tinha 52% dos votos válidos três dias antes e 50% na véspera, mas terminou o primeiro turno com 46,9%. José Serra passou de 28% para 31% nas pesquisas e alcançou 32,6%. Marina Silva oscilou de 14% para 17% e recebeu 19,3%.
A maior distância entre previsão e resultado ocorreu em 2014. Aécio Neves aparecia com 24% três dias antes da eleição e 26% na véspera, mas marcou 33,5% nas urnas. Marina Silva caiu de 27% em 2 de outubro para 21,3% três dias depois, enquanto Dilma tinha 44% na véspera e terminou com 41,6%. O Ibope projetava, na véspera, 46% para Dilma, 27% para Aécio e 24% para Marina.
Em 2018, Bolsonaro obteve 46%, seis pontos acima dos 40% indicados na véspera e sete acima dos 39% registrados três dias antes. Fernando Haddad, por sua vez, alcançou 29,28%, depois de aparecer com 25% nos dois levantamentos prévios. O Ibope projetava Bolsonaro com 41%, Haddad com 25% e Ciro com 13%.
Em 2022, Bolsonaro tinha 36% nas pesquisas próximas do primeiro turno e terminou com 43,2%, uma diferença de sete pontos. Lula aparecia com 50% e recebeu 48,43%. Outros levantamentos de véspera indicavam Lula à frente: Ipec, 51% a 37%; Genial/Quaest, 49% a 38%; e AtlasIntel, 50,3% a 41,1%.
Flávia Bozza, professora da ESPM e pesquisadora do Doxa, relaciona as diferenças à dificuldade de estimar a abstenção, à recusa seletiva de entrevistados e ao desconforto de parte do eleitorado em declarar voto na direita ou intenção de não votar. Ela também cita o chamado antipetismo de chegada, quando eleitores da terceira via ou indecisos migram para o candidato mais bem colocado contra a esquerda.
É nesse cenário que a campanha de Flávio Bolsonaro busca atrair votos de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. O último levantamento antes do primeiro turno será divulgado no sábado (3), no fim da tarde, enquanto a Quaest também publicará sua pesquisa no início da noite. A votação ocorrerá no domingo (4).



