A circulação de uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil provocou uma nova controvérsia na reta final da eleição presidencial. O projeto, porém, não é de Flávio Bolsonaro (PL), que negou a intenção de reapresentá-lo ou apoiá-lo.
Em vídeo, Flávio disse ter sido surpreendido pelo que classificou como “fake news” e afirmou: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”. A reação ocorreu depois que se espalhou nas redes sociais a informação de que setores evangélicos ligados ao candidato articulavam a retirada do título religioso.
A proposta que está no centro da discussão é o projeto de lei 2.623/2007. Apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, do PMDB de Mato Grosso, o texto pretendia alterar a Lei 6.802/1980. Entre as mudanças, estavam a substituição de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” e a troca de “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
Na Comissão de Educação e de Cultura, Átila Lira (PP-PI) apresentou parecer pela rejeição. O relatório foi aceito por unanimidade, e o projeto acabou arquivado.
A associação com Flávio ocorreu porque Galli se define como “bolsonarista raiz”, declarou apoio ao candidato e esteve com ele em um evento agro em abril. Na ocasião, o ex-deputado chamou Flávio de “amigo”. O texto informa, no entanto, que Flávio não demonstrou publicamente que o apoio fosse mútuo.
Galli foi nomeado assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro e exonerado em junho de 2019 após condenação por declarações ofensivas contra a comunidade LGBTI+. Neste ano, tenta voltar à Câmara dos Deputados pelo PP.
A discussão também recupera uma associação feita durante a eleição presidencial de 2022, quando uma montagem atribuiu a Jair Bolsonaro a intenção de acabar com o feriado de 12 de outubro e retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira. A informação foi considerada falsa, e a checagem apontou que o projeto era de Victório Galli.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) chamou a proposta de “esdrúxula” e disse que eventual tentativa de recolocar o tema em debate por Flávio ou aliados deveria ser acompanhada “com cautela e atenção”. Jandira Feghali (PCdoB) afirmou que o projeto não avançou porque foi apresentado durante o governo Lula.
A circulação do caso ocorreu paralelamente à divulgação de uma cartilha da Igreja Católica em apoio à democracia. O material foi distribuído na Diocese de São João de Boa Vista e associado nas redes sociais a um suposto apoio a Lula (PT).


