O Rússia Unida, partido ligado ao presidente Vladimir Putin, venceu as eleições parlamentares russas com 57,83% dos votos, conforme os dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central nesta segunda-feira (21), quando 95% das urnas haviam sido apuradas. O resultado garante à legenda 355 das 450 cadeiras da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo.
A votação ocorreu ao longo de três dias, entre sexta-feira (18) e domingo (20). A porcentagem obtida pelo partido foi superior aos 49,8% registrados em 2021, ano da eleição parlamentar anterior.
Putin procurou associar o processo eleitoral à demonstração de que a população continua apoiando a guerra contra a Ucrânia. Em Moscou, o prefeito Sergei Sobyanin afirmou que Kiev tentou interferir na votação. “O adversário – o regime de Kiev – fez tudo o que estava ao seu alcance para perturbar as eleições e alterar o panorama político do país (Rússia)”, declarou.
Sobyanin também disse que Moscou teve participação recorde nas eleições para a Duma Estatal. A fala ocorreu após o prefeito mencionar ataques com drones direcionados, nos últimos dois meses, à capital russa, à região de Moscou e à área sob sua administração.
Sanções e contestação
Na sexta-feira em que a eleição começou, os Estados Unidos aprovaram um projeto de lei com novas sanções econômicas contra a Rússia. As medidas miram principalmente o setor de energia russo, que já havia sido alvo de ataques com drones realizados pelas forças ucranianas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou a iniciativa nesta segunda-feira (21). “Claramente, este projeto de lei não contribui para a restauração de nossas relações bilaterais”, afirmou, acrescentando que a medida também não deve facilitar o avanço de uma solução para a questão ucraniana.
A credibilidade do sistema político russo foi questionada por críticos. O Yabloko, único partido contrário à guerra, foi impedido pela Suprema Corte de disputar a eleição. Integrantes de sua direção, entre eles Lev Shlosberg, foram presos depois de condenados por divulgar “informações falsas” ao fazer comentários críticos ao conflito contra a Ucrânia.


