A decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar suspeito na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso envolvendo Alexandre de Moraes surpreendeu integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e mudou a leitura política da crise na Corte.
O entorno de Flávio esperava que o episódio mantivesse a pressão concentrada em Moraes e reforçasse o discurso de desgaste do Supremo. Com a suspeição de Kassio, o caso passa a envolver mais um ministro e reduz a possibilidade de apresentá-lo como um confronto restrito ao magistrado visto pelos aliados como adversário de Bolsonaro.
A decisão também ganha peso institucional porque Nunes preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerado uma instituição relevante no ambiente da disputa de 2026. Aliados de Flávio acompanham ainda a atuação do grupo favorável a Moraes, que, na avaliação deles, ampliou o debate para a conduta de André Mendonça, a atuação da Polícia Federal e os efeitos de novas revelações sobre outros ministros.
A sessão do STF analisa um relatório da PF que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Antes de avaliar se esse conteúdo justifica a abertura de investigação contra Moraes, o plenário deve examinar um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o documento.
A Procuradoria afirma que Mendonça determinou a produção do relatório sem solicitação anterior do Ministério Público ou da própria PF e sem levar a medida previamente ao plenário. Caso a nulidade seja aceita, parte dos ministros entende que o STF poderá encerrar o caso sem analisar o mérito das mensagens. Outra corrente considera possível discutir os elementos já conhecidos para decidir sobre a abertura de uma nova investigação.
A sessão ocorre em meio a uma disputa interna sobre a condução das apurações, o acesso às provas e os documentos que deveriam estar disponíveis aos ministros antes da análise. Nesta segunda-feira (14), a PF informou ter entregado aos gabinetes de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular apreendido de Vorcaro. No mesmo dia, Mendonça retirou o sigilo de um processo com detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.


