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Abstenção cresce no RS e em Porto Alegre e supera média do país

Primeiro turno de 2026 teve ausência de 21,35% dos eleitores no estado e de 23,99% na Capital.

Abstenção cresce no RS e em Porto Alegre e supera média do país

O Rio Grande do Sul e Porto Alegre atingiram, no primeiro turno das eleições gerais de 2026, os maiores índices de abstenção já registrados em suas séries históricas. Cerca de 1,82 milhão de eleitores gaúchos não foram às urnas no domingo (4), o equivalente a 21,35% do eleitorado apto. Na Capital, aproximadamente 255 mil pessoas deixaram de votar, com taxa de 23,99%.

No país, 33,4 milhões de eleitores não compareceram no primeiro turno, correspondendo a 21,08% do eleitorado. A diferença em relação ao estado foi pequena, mas Porto Alegre ficou quase 3 pontos percentuais acima da média nacional.

Distância em relação a 2010

A evolução dos índices mostra que a abstenção avançou mais no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre do que no conjunto do país. Em 2010, 18,12% dos eleitores brasileiros não votaram. No estado, a taxa era de 14,86%; na Capital, de 15,67%.

Em 2026, o índice nacional chegou a 21,08%, uma elevação de 2,96 pontos percentuais. No Rio Grande do Sul, passou a 21,35%, crescimento de 6,49 pontos. Porto Alegre teve a maior variação entre os três recortes: saiu de 15,67% para 23,99%, aumento de 8,32 pontos percentuais.

O cientista político e professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Benedito Tadeu César afirma que a demografia não explica sozinha o resultado. Para ele, há também uma dimensão de desencanto com a política, perceptível sobretudo a partir de 2018, associada à perda de referências e à dificuldade de apresentar projetos capazes de produzir expectativa de mudança.

Ao tratar do cenário gaúcho, César avalia que houve afastamento entre forças ligadas historicamente à esquerda e à centro-esquerda e os anseios da população do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre. O professor cita a trajetória do trabalhismo, do brizolismo e, posteriormente, do PT na política gaúcha e afirma que falta um projeto capaz de mobilizar o eleitorado.

A abstenção aumentou no mesmo período em que a extrema direita se consolidou no estado. Os resultados eleitorais, contudo, não permitem associar diretamente o crescimento das ausências ao desempenho de um campo político específico. César considera plausível que parte dos eleitores tenha se afastado enquanto outra parcela encontrou representação na extrema direita, mas ressalva que não há pesquisa capaz de comprovar essa hipótese.

Idade e participação eleitoral

A composição etária ajuda a iluminar o fenômeno, embora não seja suficiente para explicá-lo. O Rio Grande do Sul chegou a 2026 com cerca de 1,238 milhão de eleitores de 70 anos ou mais. O contingente era de aproximadamente 1,020 milhão em 2022, o que representa crescimento de 21,3%. Em 2014, havia cerca de 767 mil eleitores nessa faixa, número que aumentou mais de 60% em 12 anos. Para pessoas a partir dos 70 anos, o voto é facultativo.

Em 2022, a abstenção entre os grupos gaúchos com voto facultativo alcançou 50%. Além dos eleitores com mais de 70 anos, fazem parte desses grupos jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas.

A ausência, porém, também foi elevada entre eleitores sujeitos à obrigatoriedade do voto. Em 2018, a maior taxa entre essas faixas no estado foi registrada por pessoas de 21 a 24 anos, com 20,11%. Em 2022, o mesmo grupo voltou a liderar, alcançando 23,56%. Já em 2014, a faixa de 25 a 29 anos apresentou o maior percentual de abstenção entre os adultos, com 17,23%.

Os dados detalhados de 2026 sobre quem compareceu e quem não votou ainda não foram disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Assim, ainda não é possível identificar quanto idosos, jovens adultos e outras faixas etárias contribuíram para o recorde deste ano.

Para Benedito Tadeu César, as mudanças não se limitam ao envelhecimento do eleitorado. Ele também relaciona o afastamento à transformação das relações de trabalho, às redes sociais e à falta de referências. Na avaliação do professor, a sensação de impotência pode levar o eleitor a não participar quando não identifica uma perspectiva de melhora.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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