O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elegeu dois representantes pelo Rio Grande do Sul nas eleições de 2026. Dionilso Marcon foi reeleito deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e Adão Pretto Filho renovou o mandato de deputado estadual.
Marcon recebeu 99.566 votos, equivalentes a 1,63% dos votos válidos no estado. Assentado da Reforma Agrária e natural de Ronda Alta (RS), começou a atuar politicamente em 1987, na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Também participou de atividades na paróquia de sua região natal ao lado do padre Arnildo Fritzen.
Antes de ser assentado, Marcon permaneceu acampado por quatro anos e integrou a direção do MST. Em 1994, foi assentado no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita (RS), onde vive. No município, participa da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), que produz arroz agroecológico.
Trajetória de Marcon
Marcon chegou ao Legislativo estadual em 1998 e exerceu três mandatos. Em 2010, foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados. Durante sua atuação em Brasília, apresentou mais de 180 projetos e implantou o Orçamento Participativo para a definição de emendas parlamentares. A defesa dos trabalhadores e das organizações populares está entre as prioridades de seu mandato.
Depois da eleição, o deputado agradeceu aos eleitores e reafirmou a disposição de atuar em defesa dos trabalhadores do campo e da cidade. “Quero agradecer a cada um e cada uma que acreditou na nossa construção coletiva”, afirmou em uma publicação nas redes sociais.
Adão Pretto Filho foi reeleito para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul com 68.042 votos, ou 1,11% dos votos válidos. Ele ficou em segundo lugar entre os candidatos do PT mais votados para o Legislativo estadual.
Natural de Miraguaí (RS), Pretto Filho é filho do ex-deputado federal Adão Pretto, um dos fundadores do MST, e irmão de Edegar Pretto. Formado em Gestão Pública, foi vereador em Viamão e concorreu como candidato a vice-prefeito do município. Em 2022, conquistou o primeiro mandato de deputado estadual pelo PT, com mais de 66 mil votos.
Atualmente, preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Também coordena a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher e a Frente Parlamentar de Combate à Fome com Alimentação Saudável. Sua atuação inclui direitos dos povos indígenas e das comunidades quilombolas, educação pública, cozinhas solidárias e promoção da justiça social.
Após a reeleição, Pretto Filho destacou a votação e a continuidade de sua atuação política. “Foram mais de 68 mil votos reafirmando que a nossa luta continua!”, declarou nas redes sociais.
Representação nacional
Além dos dois representantes eleitos no Rio Grande do Sul, o MST reelegeu para a Câmara dos Deputados Valmir Assunção (BA) e João Daniel (SE), além de Marcon. Rosa Amorim (PE), que já ocupava uma cadeira de deputada estadual, foi eleita para a Câmara e se tornou a primeira mulher Sem Terra a chegar à Casa.
Nas assembleias legislativas, foram reeleitos Marina do MST (RJ) e Missias (CE), além de Adão Pretto Filho. Camilo Daniel (SE), que já havia sido vereador em Aracaju, foi eleito para seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Sergipe.
Rosa Amorim foi a candidata a deputada federal mais votada do PT em Pernambuco. No Rio Grande do Sul, Adão Pretto Filho ficou em segundo lugar entre os candidatos do partido.
As candidaturas eleitas assumiram compromissos com a democratização do acesso à terra, o incentivo à produção e à cooperação para a oferta de alimentos saudáveis, o combate à fome e iniciativas de sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente. Também estão entre as pautas a defesa da educação, da saúde, da cultura e da diversidade.
Desde 2022, o MST adota a ocupação de espaços institucionais como estratégia para ampliar sua atuação política, especialmente em temas ligados à Reforma Agrária e à agricultura familiar.


