Os 14 países que integram o chamado Escudo das Américas assinaram nesta terça-feira (22) um acordo que classifica formalmente como terroristas organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Coordenado pelo governo dos Estados Unidos, o grupo listou 24 organizações consideradas “narcoterroristas transnacionais” e estabeleceu sanções contra pessoas envolvidas.
O historiador Valério Arcary relacionou o acordo a outros movimentos do presidente Donald Trump, entre eles o discurso feito na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). Na avaliação dele, Trump indicou que os Estados Unidos estão dispostos a recorrer à força militar para preservar seus interesses no hemisfério ocidental, que o historiador identifica fundamentalmente com a América Latina.
“Foi um discurso apocalíptico”, afirmou Arcary. Para ele, a região é tratada por Washington como uma reserva estratégica e uma área de influência submetida ao poder da maior potência militar da história.
Alinhamento regional
Arcary afirmou que Trump mencionou diretamente o México ao atribuir ao país responsabilidade pela movimentação do narcotráfico, mas não citou especificamente o Brasil. Ainda assim, o historiador avaliou que existe uma nova ameaça e que o governo brasileiro não deveria ignorá-la.
Na análise de Arcary, o cenário deixou de ser resultado apenas de uma estratégia do governo estadunidense. A adesão da maioria dos governos latino-americanos ao acordo, segundo ele, representa uma mudança relevante nas disputas de força da região. “Está claro que há em curso um alinhamento de poder de 14 governos latino-americanos”, disse.
O historiador também citou declarações de Trump sobre a anexação do Canadá e da Groenlândia e sua posição em relação ao governo de Teerã. Segundo Arcary, o presidente dos Estados Unidos anunciou disposição para aniquilar a República Islâmica caso as exigências norte-americanas, apresentadas junto com o Estado de Israel, não fossem atendidas. Para ele, a combinação entre esses discursos e o acordo dos países latino-americanos revela uma realidade nova.
Reflexos nas eleições brasileiras
Arcary ressaltou que os acontecimentos ocorrem às vésperas das eleições brasileiras. Na avaliação dele, a classificação dos cartéis como organizações terroristas pode ser usada para associar a esquerda latino-americana ao narcotráfico e, no contexto da campanha eleitoral, relacionar Lula a essas organizações criminosas.
O historiador definiu essa possibilidade como uma ameaça direta e disse que o contexto deve ser tratado com preocupação.


